quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

TALENTOS PARA A TROCA #1

Dificuldades que não se enxergam encontram um engenho que não se engelha.
Quando parece que não há dióptrica que nunca acabe, a emancipação das gerações ganha-se à custa do poder do tempo, aquele que é mais estimado quando se cresce tão rápido.
Estamos em Portugal e temos o Mundo à janela à espera do impossível que tornamos possível. Fazer tanto com tão pouco. Chamar a atenção sem hora marcada nem mesa posta.

É quase Natal e podemos ser nós a oferecer presentes de baixo custo e grande valor.
Mas estes são talentos para a troca: façamo-los maiores e tenhamos a certeza de que mais surgirão. São moedas de troca para um futuro em que haja eco de algo.
Conheçam um pouco melhor estes primeiros cinco. 



mcf



Porquê, simplesmente, mcf?

Não tem grande explicação, foi um nome que evoluiu do meu primeiro nome artístico que não vou dizer aqui porque era um nome mesmo à puto que entrou no 'rap' há 2 dias. Agora isso de assinar sempre com letras pequenas é síndrome de valter hugo mãe.


Como defines a música que produzes?

É forte, pelo menos para mim. Musicalmente ouço muita coisa, música antiga, música nova, consigo apreciar tanto Chet Baker como Chet Faker e isso tudo vai se traduzir no som que faço. O resto é talento.


Qual é a tua melhor canção?

É um instrumental que estive agora a acabar antes de responder à entrevista. Ficou do caralho mesmo!!!

Pensas que, hoje em dia, a música que crias é mais importante do que a comunicação e o marketing que tens de fazer para a promover?

A música é sempre o mais importante. Os teus fãs vão-te seguir porque querem ouvir música nova. Deves fazer a música que realmente queres fazer e aquilo que gostas mas o 'marketing' também tem o seu peso, principalmente hoje em que aparecem muitos artistas novos e bons. Eu tento tirar partido do 'marketing' e não vejo problema nenhum em aliar os dois. 


De que revista não te importarias de estar na capa?

Se estivesse na capa da Rolling Stone de certeza que triste não ficava.


Primavera Sound, Glastonbury ou Lowlands? 

Não sou grande conhecedor de festivais. Desses 3 só conheço mesmo o Primavera e só sei que trouxeram o Kendrick ao Porto. Se o gosto na escolha for sempre assim tão bom não me importava de ir, não.


Spotify, Pandora ou Grooveshark?

Pessoalmente não uso nenhum. Ouço música no Youtube e vou sacar álbuns ao Pirate Bay.


MP3, FLAC, WAV ou vinil?

MP3. WAV só mesmo quando tenho que exportar as pistas dos instrumentais para mandar ao Mic.


Que nem o Prof. Marcelo, sugestões de cultura musical?

Quanto a livros leiam o "Estrangeiro" do Camus. É útil. Vejam o "24 Party People" que fala da onda de Madchester... Ian Curtis, Shaun Ryder, Martin Hannett e Tony Wilson... Mostra-te a história e é um filme com estilo. Não vejam o "Lucy" e falem mal dele sempre que possam.
Séries ando a ver "House of Cards", é fixe. Musicalmente o que tenho ouvido agora é Flume mas isso já todos devem conhecer por isso aconselho a irem ouvir Daedelus só porque me lembrei agora e é fixe.



Qual é a pergunta mais irritante que te podem fazer?

Não me irrito com perguntas.


5 canções para 5 cenários/situações diferentes.

Landim - Kapo: para quando me quero armar em 'gangsta'.
Happy Mondays - Kinky Afro: quando me quero armar em drogado.
Schubert - trio op.100: quando me quero armar em intelectual.
Frank Ocean - Thinkin About You: para me armar em paneleirote a cantar o refrão.
Cage - Misanthrope: para matar uma puta à tijolada.



É um bocado por aí...


Layover



Porquê Layover?

'It's a break between parts of a single trip, where the traveler typically gets off on one place and goes on to another'. 


Como definem a música que produzem?

A personificação de um som 'rock' muito claro e melódico influenciado por todo o tipo de música velha ou actual. 


Qual é a vossa melhor canção?

'Angel', porque foi uma música que demorou a crescer e quando foi trabalhada estávamos todos na mesma 'frequência' e acabou por crescer naturalmente.


Pensam que, hoje em dia, a música que criam é mais importante do que a comunicação e o marketing que têm de fazer para a promover?

Claro. Se não colocássemos a música em primeiro lugar não nos daríamos ao trabalho de fazer o 'marketing'.


De que revista não se importariam de estar na capa?

Rolling Stone. Pela sua longa história. 


Primavera Sound, Glastonbury ou Lowlands? 

Lowlands. Por ser um palco que onde vimos tantas e tantas bandas que conhecíamos e onde acabámos por descobrir tantas outras.


Spotify, Pandora ou Grooveshark?

Spotify. Mas de preferência sem publicidade!


MP3, FLAC, WAV ou vinil?

Vinil, por tudo. Pela qualidade de som, pelo tamanho e conteúdo dos álbuns e por dar sempre a sensação que estamos mais próximos de quem está do outro lado da coluna.


Que nem o Prof. Marcelo, sugestões de cultura musical?

(Foo Fighters) 'Sonic Highways'.
(Doors) 'When You're Strange'.
(Rush) 'Beyond the Light Stage'.
(Wilco) 'I Am Trying To Break Your Heart'.
(Incubus) 'Morning View Sessions'. E claro, 'Sound City'.


Qual é a pergunta mais irritante que vos podem fazer?

'Porque é que não tocam em Português?'
Porque os instrumentos não têm língua. 



5 canções para 5 cenários/situações diferentes.

Queen - Bohemian Rhapsody: para dançar nu de forma épica na rua!
My Morning Jacket - I'm Amazed: porque faz com que toda a gente acredite que tenha o poder vocal do Freddie Mercury.
Jeff Buckley - Lover You Should've Come Over: para quando estás na...
Silverchair - One Way Mule: angry and yet so melodic.
Pink Floyd - Echoes:
pela qualidade instrumental, do princípio ao fim.





Charcoal & Crystal



Porquê, simplesmente, Charcoal & Crystal?

Charcoal and Crystal foi um nome ponderado, não tanto surgido da inspiração como a maioria dos nomes que escolho para as composições ou como escrevo as letras. O carvão é um material cheio de possibilidades, com um aspecto bastante cru que me agrada, lembra o fogo, a terra.. o chão. O Cristal remete para um estágio superior no desenvolvimento de algo, ainda que absolutamente sólido, evoca o celestial, puro de outra maneira. Um e outro serão como os limites em que se inclui a obra, diga-se, eclética, partilham características, mas distanciam-se muito a outros níveis.


Como defines a música que produzes?

Usando palavras escritas anteriormente, pois melhor descrição não tenho...as músicas deste projecto são compostas maioritariamente em guitarra clássica, mas não só.
O género poderá ser descrito como 'Paisagem Sonora', ou um 'Contar de Histórias', 'soft-rock' e um pouco 'blues'. As influências são as mais variadas.

Nostálgico e sombrio, por vezes, há alguma tendência para uma natureza mais obscura. Encontra-se o balanço com melodias mais claras, limpas, refinadas e brilhantes. Os momentos de peso surgem da profundidade da emoção, não das qualidades do som.
A linha deste trabalho define-se por uma estética complexa permeada de uma certa crudeza; é tanto introspectivo como vivaz.


Qual é a tua melhor canção?

Não tenho nenhuma canção que possa considerar a melhor, assim como nem sei o que faz uma melhor canção.


Pensas que, hoje em dia, a música que crias é mais importante do que a comunicação e o marketing que tens de fazer para a promover?

Sempre fui da opinião que, hoje em dia ou em qualquer época, a obra é de longe mais importante que qualquer divulgação. A promoção, o 'marketing', poderão sempre haver, mas obras, independentemente do valor que se lhes dê, são criações únicas. Quer permaneçam no desconhecimento do público ou sejam apreciadas mundialmente, é a sua singularidade que lhes dá vida. A publicidade ou o reconhecimento que possam ter é um evento que passa por elas.


De que revista não te importarias de estar na capa?

Muito sinceramente, não conheço revistas. 


Primavera Sound, Glastonbury ou Lowlands? 

Não sei o que são o Primavera Sound, Glastonbury ou Lowlands, mas têm nome de festivais e a minha escolha seria o que tiver música menos vulgar. 


Spotify, Pandora ou Grooveshark?

Conheço o Spotify, mas não os outros.


MP3, FLAC, WAV ou vinil?

Adoro vinil, mas FLAC tem uma dimensão e uma claridade que me conquistam.


Que nem o Prof. Marcelo, sugestões de cultura musical?

Apenas uma, um documentário que vi o ano passado e gostei muito: 'À Procura de Sugar Man'.


Qual é a pergunta mais irritante que te podem fazer?

Perguntarem-me se sei ou posso tocar músicas de outros artistas ou 'aquela canção que anda na rádio agora'.


5 canções para 5 cenários/situações diferentes.

Jeff Buckley - Dream Brother: canção para o pôr do sol numa floresta.
Fever Ray - If I Had A Heart: para o momento antes da caçada.
A Perfect Circle - Pet: caminhar de noite numa cidade adormecida.
Ashes and Snow (BSO) - Mater Mea: para contemplar a severidade da natureza.
Devendra Banhart - When The Sun Shone On Vetiver: para cavalgar numa planície.




Isaura



Porquê, simplesmente, Isaura?

Isaura, só, é uma promessa de genuinidade, autenticidade. Numa outra fase da minha relação com a música experienciei roupa que não era minha, cabelos e maquilhagens fora da minha zona de conforto e até uma seleção musical que nem sempre quis. Ao escolher Isaura sinto-me remeter a mim, ao que sou, à minha forma de estar entre amigos. É um projeto honesto, sem adereços dispensáveis. (E tenho a sorte de ter um nome esquisito!) 


Como defines a música que produzes?

Tenho muita dificuldade em responder a este tipo de perguntas. Mas posso tentar responder com aquilo que são os meus objetivos ao fazer música: exijo-me sempre uma parte fácil e simples porque o meu objetivo é que as pessoas as cantem e as aprendam facilmente (afinal, é para elas e com elas que quero cantar) e neste aspecto reconheço-lhes o altruísmo do 'pop'. Ao mesmo tempo procuro sonoridades urbanas e frescas, atuais; e gosto das possibilidades que a eletrónica tem para oferecer... um 'urban pop' eletrónico?


Qual é a tua melhor canção?

A minha melhor canção está guardada, à espera de coragem para lhe fazer justiça. Um dia, se ela sair, venho dizer-vos que era dela que falava!


Pensas que, hoje em dia, a música que crias é mais importante do que a comunicação e o marketing que tens de fazer para a promover?

Bom, seríamos ingénuos se disséssemos que o 'marketing' e a comunicação não importam. É claro que importam. Mas hoje em dia, com as redes sociais, as coisas tendem a ser mais dramáticas mas mais honestas. Acho que pelas redes sociais se percebe rapidamente se as pessoas gostam ou não; do mesmo modo que se percebe se odiaram. As pessoas são honestas e não se inibem de dizer que não gostam tal como se dão a todo o trabalho do mundo para te felicitar caso tenhas um bom trabalho. Portanto, acho que a música e a sua qualidade, felizmente, ainda são mais importantes.


De que revista não te importarias de estar na capa?

Rolling Stone, claro!


Primavera Sound, Glastonbury ou Lowlands? 

Bom, não sou das mais expeditas nisto dos festivais. Tenho ido a festivais nestes últimos anos mas quando gosto muito de uma banda prefiro sempre mais ir ver um concerto dessa mesma banda. Mas talvez Primavera Sound.


Spotify, Pandora ou Grooveshark?

Spotify, mas sem as publicidades.


MP3, FLAC, WAV ou vinil?

Sei que está na moda gostar de vinil e eu gosto e acho-os insubstituíveis. Mas sou pelo mp3, pelo pouco espaço que ocupam e pela portabilidade. As músicas de que gosto sempre comigo.


Que nem o Prof. Marcelo, sugestões de cultura (literatura, cinema...) musical?

Bom, eu oiço muitas coisas e tudo muito diferente. Mas recomendaria o álbum da Tove Lo, "Queen of the Clouds", porque não é só um álbum. Cada música conta uma história e todas elas se alinham, desde o amor até à separação. E está muito bem feito.


Qual é a pergunta mais irritante que te podem fazer?

Quando vou a um café e digo 'queria um café' e me perguntam de volta 'queria? já não quer?'. Fico maluca e já não me consigo rir disso.


5 canções para 5 cenários/situações diferentes.

Sleeping At Last - Turning Pages: a declaração de amor mais bonita do mundo.
Vanilla Ice - Ice Ice Baby: a música para te sentires o maior.
Daughter - Youth: a música para conduzir.
Ella Fitzgerald - Cry Me A River: a música para cantar sozinha no carro
Sia - Chandelier: a música que te faz ficar especado a ver o 'videoclip'.





Fazenda



Porquê Fazenda?

O nome Fazenda está intimamente ligado com o nosso 'habitat natural', o que está à nossa volta, o espaço onde ensaiamos (uma quinta) e a localização no interior do país (Tondela).


Como definem a música que produzem?

Um diálogo entre duas guitarras que resulta em paisagens sonoras distintas. 


Qual é a vossa melhor canção?

Deixamos essa escolha para os ouvintes. 


Pensam que, hoje em dia, a música que criam é mais importante do que a comunicação e o marketing que têm de fazer para a promover?

A criação e a arte primeiro. Apesar de sabermos a importância que isso tem, a comunicação e o 'marketing' são pensados em função das primeiras.


De que revista não se importariam de estar na capa?

Qualquer uma, logo que seja um serviço informativo de qualidade. 


Primavera Sound, Glastonbury ou Lowlands?

Onde for possível tocar!


Spotify, Pandora ou Grooveshark?

Spotify.


MP3, FLAC, WAV ou vinil?

Vinil ou digital sem compressão.


Que nem o Prof. Marcelo, sugestões de cultura musical?

Demasiados filmes ou livros bons para apontar títulos ou autores.


Qual é a pergunta mais irritante que vos podem fazer?

Uma pergunta inútil.


5 canções para 5 cenários/situações diferentes.

Pink Floyd - Have a Cigar: para fumar um cigarro.
Chico Buarque - Valsinha: banda-sonora de um jantar de amigos. 
Igor Stravinsky - Sagração da Primavera: quando se quer ouvir boa música e bem alto.
Marvin Pontiac - Pancakes: boa canção para acordar.
Carlos Paredes - Verdes Anos: para passear no campo.




terça-feira, 16 de dezembro de 2014

DE E POR: THE STONEWOLF BAND - "Fear Less" (2014, Ed. Autor)

Com um EP de estreia lançado no ano passado, o movimentado Mundo dos The Stonewolf Band desenlaça-se em "Fear Less", o disco de estreia lançado já este ano.
Entre imprevistos como uma formação renovada, obstáculos na edição física, proveitosas colaborações e uma recepção acolhedora que os levou para grandes palcos internacionais, como o do festival Music Matters em Singapura, e nacionais, como o Festival MED, o Vodafone Mexefest, o Festival MUSA Cascais, o Sintra Fest e o Sabotage Club e Festival Académico do Fundão (onde ainda vão tocar este ano), a banda mostra trabalho rapidamente mas com evolução, mantendo a mistura tão familiar do folk desértico com o reggae e o surf-rock tão coesa quanto possível e acrescentando-lhe o apetite pelo 
hip-hop e pelo que acrescentou muito ás músicas, como na "Get Right".
É pois, em jeito de balanço do próprio ano e disco, uma mensagem de auto-confiança, até no desconhecido, e de fazer algo significativo com a efemeridade, aquela que poderia ter contrariado o amadurecimento destas canções, que fica das palavras do líder Ricardo, o Lobo.


























Calling My People

O álbum abre com 'Calling My People'. Achámos ser a melhor escolha para o primeiro tema pois fala de uma chamada ao pessoal, para se unirem em tempos de crise e superar diversidades. Penso que muitos portugueses conseguem relacionar-se com o tema, devido ao que temos passado recentemente (e continuamos a passar, infelizmente), mas a ideia da música é dar energia para continuarmos a lutar contra tudo e contra todos.
Foi gravado com 3 'slides', 2 acústicas (Weissenborn) e uma eléctrica 'lapsteel'. A primeira 'slide' é a minha guitarra "go to", uma 'gold tone Weissenborn' com 'magnetic pick up'. A segunda 'slide' é uma 'Bediaz acoustic Weissenborn' com 'built in mic pick up'. A 'lapsteel' é uma 'custom made' vinda de Itália, pelas mãos de Luthier Ermanno Pasqualato, um grande senhor!
Inicialmente a ideia era ter um coro de vozes, 'church gospel style', mas depois de ouvir o 'power' da Orlanda Guilande, não foi necessário. Aliás, a primeira voz que se ouve no álbum é a da Orlanda.
Convidámos o nosso amigo Dylan Jones, de Inglaterra, para o solo de teclas e também o levámos connosco na recente visita a Singapura para o 'Music Matters Live', onde ele toca piano e trompete. O vídeo desse concerto já está no YouTube!


Gotta Bounce

O tal tema em que tivemos de esperar pelo 'ok' para usar 'samples' de John Wayne. Demorou, mesmo tendo o total apoio do filho do legendário John Wayne, presidente da John Wayne Enterprises, onde adoraram a música e como ela encaixava com a voz e imagem de JW, mas como os direitos do 'sample' não pertenciam só a eles, tínhamos igualmente de ter o 'ok' da Warner Bros. Depois do 'não' inicial, eles foram pressionados pela JW Enterprises para providenciar uma 'board meeting' (sim, um pouco exagerado para um 'sample' de 6 segundos para uma banda de Portugal) e finalmente houve o 'sim' para o usar no álbum. Semanas depois, muito perto da data do lançamento 'online', recebemos outro e-mail da WB com uma quantia exorbitante a pagar e acabámos por não usar o 'sample'. Mas a saga ainda continua…
Ainda assim, é sempre giro receber uma chamada dos EUA, do filho de John Wayne, a dizer que gosta da tua música!
Para esta música queria criar uma 'vibe' de deserto moderno...se isso faz sentido, e o tema fala de querer livrarmo-nos de pessoas tóxicas, quer na vida pessoal, quer no universo político, livrarmo-nos da mafia e escumalha. É também um dos 'singles' do álbum.


Good Riddance

Este tema fala da injustiça sobre o povo nativo americano. Fascinou-me a história deste povo, que foi abusado e massacrado durante anos, para depois ser forçado a adaptar-se ao estilo de vida do homem branco - tentaram mudar a cultura dos que já lá estavam muito antes que eles e viviam em paz! Isto foi quase tudo esquecido e 'pushed under the rug' e eu queria ajudar, através da música, para que os eventos trágicos desses tempos não fossem cair no esquecimento. Quis representar a fúria e a revolta do povo neste tema 'fast paced' e agressivo. O facto estrondoso é que mais pessoas morreram neste período do que no Holocausto. Parem e pensem nisso um segundo! Ninguém fala disto!
Mais 'backing vocals' da Orlanda para dar 'power' ao refrão. É das poucas no álbum que tem um solo de 'slide' no final da música.


Texas

Para esta música, decidimos pôr a bateria 'panned' toda do lado esquerdo e a guitarra principal 'panned' para a direita, com a voz no meio e 'backing vocals' entre os dois. Queríamos um 'vintage vibe feel', como no "Sgt. Pepper's..." dos Beatles. 
O tema fala sobre escapismo, da nossa mente viajar para sítios que nós achamos mais atraentes do que onde estamos agora, de não ter medo de ir na tal jornada de uma vida.
Quis transportar o ouvinte numa viagem comigo até lá, a um sítio que me influenciou muito...os 'blues', o 'folk', o 'country' americano.



Shotgun

O tema fala sobre o assumir o 'front seat' de uma relação. Hoje em dia existe muito a mentalidade de 'short term relationships' e muitos têm medo de dar o próximo passo; eu penso que não há necessidade de ter esse medo. Se realmente gostas de alguém ou amas essa pessoa, então é para avançar! Se no final algo correr mal, sem preocupações, pelo menos entregaste tudo a 100% e é sempre melhor do que pensar no 'what if...'.
Tal como na 'Get Right', concluímos que o 'beat' mais 'hip-hop', que tinha sido posto só para experimentar e acabou por ficar, levantou a música! E deu uma energia interessante ao tema.


Get Right

Queria transmitir às pessoas o não terem medo de sair de uma relação tóxica, que está a produzir mais mal do que bem. Acontece mais do que nós pensamos e não há como o 'agora' para rectificar essa situação.
Este tema fala sobre 'getting right' depois de um coração quebrado. 'Every cloud has a silver lining!'.
A música foi gravada num dia! Das mais rápidas do álbum, com 'backing vocals' de Odran B. e Orlanda. E decidi usar o som de contrabaixo, em vez do de baixo eléctrico pois adoro a combinação de 'beats' clássicos de 'hip-hop' com contrabaixo, ao estilo dos bons tempos dos anos 90.


Interlude

Eu sempre gostei de álbuns que tenham 'interludes' instrumentais e achei uma transição boa, um 'break' para mudar um pouco a onda, mudar para outro lado das minhas influências, o lado mais 'reggae'.
Gravada na 'slide' e com uma camada de 'reverb' e 'room', para dar o 'spacey trippy feel', uma peça improvisada que acabou por ficar no álbum.


My Ukulele

Foi um 'single' lançado no Verão passado, com um vídeo, sendo a música mais 'pop' do álbum.
Este é um tema produzido por Mikkel Solnado, que ouviu a música num 'gig' em Setúbal e quis gravá-la! A sua sobrinha, Joana Solnado, providencia os 'backing vocals', dando um toque muito especial ao refrão.
E um facto interessante que muitos não sabem, penso que vocês têm o exclusivo, é que esta 
música tem um tema muito escuro: fala sobre a morte de Rebbeca Shaefer, uma actriz muito conhecida dos anos 80, morta por um 'fan-stalker'. Lembro-me de ver a notícia quando era pequeno e achei interessante apresentar o tema do ponto vista do 'stalker' e com uma melodia muito 'pop', muito na onda de “Polly” dos Nirvana...'catchy but dark'! Mas isto fica entre nós...





Papaya

Outra música com um 'reggae vibe'. A mim, quando estou num mau dia, uma música pode mudar-me o 'mood', 'heal me' por assim dizer, e falo disso nesta. 'Reggae To The Rescue', para quando as coisas não saem como queremos, pois todos nós temos aqueles dias em que tudo corre mal, e a música pode ajudar-nos, nem que seja por um segundo.
Engraçado que as partes de trompete foram gravadas em Nova Iorque! Encontrámos o nosso amigo Matt Giella 'online' através de um 'site' que oferece serviços por 5 dólares(!) chamado Fiverr e fizemos até por brincadeira, para ver a qualidade. E quando ele devolveu o tema, nem queríamos acreditar na qualidade! Brutal, mesmo, e ficou no álbum. Ele adorou a música e fez todas as linhas, solos, etc., em 2 dias.
Gostámos tanto que lhe pedimos linhas para a versão da banda de 'My Ukulele' e também adicionámos um 'surprise dub' no meio da música antes do 'middle 8'.


Follow Me

É um 'slow reggae', um 'remake' de uma música do EP. Sempre gostei de tocar este tema em estilo 'reggae' e, depois de correr bem ao vivo, decidimos incluí-lo no álbum.
O solo de guitarra é do Paulo Baião (produtor) e a música acaba com um 'dub' à 'nossa maneira'. Achamos que é uma forma 'cool' de a terminar, bem diferente quando a tocamos ao vivo, quando transitamos para o próximo tema.
Fala também de seguir o caminho que cada um acha correcto, sem medo de ser visto como diferente, sem nunca perder a meta final de vista.


Waster

O tema mais emocional para mim porque fala sobre o meu irmão falecido, a quem dedico este álbum. Por ele ter uma imagem única, diferente do “normal”, com tatuagens e 'piercings', era muitas vezes injustamente julgado pela aparência. Estes julgamentos precipitados de pessoas, sem as conhecer, que infelizmente acontece pelo mundo fora, dá-me repugnância, e eu queria abordar isto na música. Ele era das pessoas mais inteligentes que conheci e por ter a tal imagem era rotulado "waster"...essas mentalidades enervam-me muito. Reparo muito nisso cá em Portugal e espero que este tema ajude de alguma forma a mudar essa tal mentalidade.
É também interessante por ser a única música do álbum que inicia com o refrão!


A Crow in Mexico

Foi o tema mais rápido de gravar. Inicialmente ia ser tipo 'interlude', mas acabou por ficar uma curta música onde o refrão só aparece uma vez, quase uma canção de embalar, para pôr o ouvinte num certo 'transe' antes do próximo tema mais pesado.
Estruturalmente é uma música diferente das outras. E com um 'feel' mais 'creepy desert Mexico'.


Rival 2.0

É um remake agressivo da “Rival” do EP, achávamos que faltava um pouco de 'edge' e 'rawness'. Gravada com a 'custom electric lap steel' e 'slide', é das poucas onde isso acontece.
Temos a participaçao do Son of Dave (aka Benjamin Darvell) na harmónica! Ficámos bastante satisfeitos com a resposta positiva ao nosso pedido quando achei que ficaria brutal uma harmónica suja entrar na música - dos meus 'riffs' preferidos do álbum. 

Transmite a energia de rivalidades do nosso dia-a-dia, ou até de altas competições onde a rivalidade é algo natural e ajuda a evoluir para melhor. E também já me disseram que faz lembrar os duelos do faroeste...'showdown at sundown style'.


Ukulele (bonus band mix)

Queríamos mostrar um pouco de como a música soa ao vivo. Assim, adicionámos o trompete do Matt Giella (que mencionei antes) e um solo de guitarra clássica do Odran B. (guitarras e teclado), que foi uma improvisação na hora de um 'take'.
A música cresce mais na parte final com o adicionamento de guitarras eléctricas 'in overdrive' e bateria aberta.




sábado, 13 de dezembro de 2014

GALA DROP @ GNRATION, 6/12/2014 - REPORTAGEM




No primeiro Sábado de Dezembro, a incrivelmente fria Bracara Augusta recebeu no GNRation os Gala Drop para mostrar “II”, o seu mais recente álbum que tem dado azo a imensas partilhas e boas críticas. Muita curiosidade pairava no ar para ver ao vivo a forma como, entre conga e guitarras, a incorporação na trupe de Jerald James e Maria Reis trouxe uma alma diferente à banda, com voz, com uma guitarra mais free-rockiana e com pitadas subtis de funk.





Quando as luzes se apagaram, começámos logo a ouvir o início eletrizante de “You And I”, a primeira música de "II", e um imediato contraste entre uma bateria que se cuidou bem nos tempos difíceis que tinha que acompanhar e uma voz que não consegue entrar com o mesmo poder, de tal forma que só os espectadores mais atentos terão reparado na sua entrada. Todavia, seria o sintetizador a aglutinar e a tornar cada elemento perfeitamente audível para os primeiros pezinhos de dança de que mais se satisfazia com o que ouvia. Seguindo o alinhamento do álbum, os lisboetas tocam “Big City” e “Sun Gun”, em que fica na memória a boa entrada ritmada da guitarra e a voz colocada, já no volume certo, com tanto reverb para o fantástico de algo como “Leaving the heat of the gun/For the light of the sun/ Sun not guns"
. A harmonia entre uma bateria sempre irrepreensível e um baixo que nunca destoou do certinho já dava, porém, para reparar numa tendência de maior estaticidade na assistência, quase hipnotizada em bom som, e na banda, muito concentrada no detalhe da sua performance

Ao chegar a “All Things” e “Slow House”, a melancolia sobrevoava a BlackBox, com a voz de Jerry The Cat a surpreender com um enorme à-vontade mesmo no que parecia difícil de cantar. Um teclado a rasgar emoções, os synths a exprimir grandes alvoroços comoventes e a bateria sorrateira mas presente, embora sem se ouvir tanta guitarra como se pedia, e havia espaço de novo para um rebuliço fugaz. 

“Let it Go” introduz um pouco de magia de Jerry nas congas, o carácter exótico e sublime que logo se anexou bem ao baixo, ao resto da percussão e à impetuosidade dos arpejos dos teclados com tempo para celebração, espectáculo e arrefecimento para o que viria a seguir.
Chamaram-lhe “Samba da Maconha” a uma fase inicial de uma escala de beleza intensamente dub com metrónomo apontado ao sol de África e aos seus ritmos tribais e aos synths mais americanizados; não deram nome à sequência final do set que bem poderia ser uma futura nova canção.
E chamariam "Broda" à canção do encore, a essa forma de resplandecência individual e colectiva sem espinhas em que, se todos estavam preparados para o pré-encore, já ninguém estava preparado para o final iminente.  






Esta passagem dos Gala Drop por Braga terminava assim: de forma concisa, intensa com pequenas mas pouco influentes falhas mesmo com infinita atenção prestada a eles e a todos os pormenores. Conseguiram, no cômputo geral, aproveitar bem a sala, tanto a nível de luzes como a nível de sonoridade que não deixou de demonstrar também outra faceta mais intimista. Tentaram, tentarão, alcançarão, mas não irão tão longe de Braga assim que não possam regressar brevemente.


Texto por Marco Duarte

Fotografias por Inês Martins
(galeria completa em
facebook.com/bandcom)







quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

HOLY NOTHING - "Boundaries" (2014, Turbina/Compact Records)




Os Holy Nothing são uma banda que se posiciona no limbo musical entre o analógico e o digital e que começou com uma regular partilha de demos entre Pedro Rodrigues, Nelson Silva e Samuel Gonçalves que evoluiu para uma sonoridade que passa muito pela eletrónica, desde o 8-bit ao darkwave. O casamento entre, principalmente, os sintetizadores e a narrativa visual, cuidadosamente trabalhada pelo ilustrador Bruno Albuquerque para os concertos ao vivo, é um conceito que os destaca.
“Boundaries” é a razão pela qual falamos da sua contribuição para o panorama musical português, injetando nele influências vindas de Kraftwerk, Com Truise e também Mount Kimbie. Apesar de já terem lançado anteriormente três faixas (uma delas, “Zebra”, faz parte de “Boundaries”), os Holy Nothing consideram que este EP é uma fronteira que marca o arranque oficial do trio.







A fronteira é demarcada pelo primeiro tema, “Rational”, que nos mostra bem qual a ambiência deste EP. O ritmo começa acelerado e este é um bom início que não se coíbe de nos provocar uma vontade de dançar, sendo este (claramente) o grande objetivo da banda. Os sintetizadores disparam sons a uma velocidade alucinante, construindo uma camada bem orientada e coordenada onde se também se nota o quão genuína pode ser a amizade entre a guitarra e o sintetizador.
Segue-se “Bounce”, cuja introdução apresenta um crescendo que confere a esta canção o seu lado dark e, logo após, um baixo que faz maravilhas aos nossos ouvidos, mais tarde acompanhado pelo sintetizador, e um tom de voz de acordo com essa aura mais sombria, que faz jus a algo mais darkwave. Porém, a meio, uma boa dose de cumbia aparece para quebrar estes desenvolvimentos.
A “Zebra”é um animal da savana e é esse o cenário que jaz na nossa mente ao ouvir esta faixa. Com uma batida pertinente, esta desenrola-se de uma forma divertida. Mas o lugar especial desta savana está ao segundo minuto, onde descobrimos água no deserto: o objetivo maior dos Holy Nothing cumpre-se bem nesta fase, uma vez que é impossível não mexer, pelo menos, o pé. O pano está quase a cair com “Fall” e, apesar da sua abertura nos parecer morna, esta acaba por ser coerente com o resto do registo. O instinto dançável permanece e os jogos de sons com o sintetizador são, mais uma vez, o palco para o resto dos instrumentos.






Este pode ser um bom começo para os Holy Nothing, com um EP eficiente e coeso que constitui uma lufada de ar fresco para a música portuguesa. É um curta-duração que conjuga um binómio muito presente no mundo da eletrónica: a obscura sobriedade de uma voz que se funde com uma batida hipnotizante e embriagada. Cá esperamos pelo seu primeiro álbum mas, enquanto isso, sempre podemos ouvir o mais recente single “Cumbia”.

Inês Martins




sábado, 6 de dezembro de 2014

GALA DROP - "II" (2014, Golf Channel Recordings)



Depois de um surpreendente e disruptivo EP com Ben Chasny dos Six Organs of Admittance, os Gala Drop, um super-hub de mentes criativas que já incluiu, por exemplo, Tiago Miranda, ajustam novamente a sua formação - sai Guilherme Gonçalves para se dedicar mais ao trabalho como Coclea e entram Jerry The Cat (veterano de Detroit agora também dos Loosers e a emprestar aqui de forma decisiva a sua voz e os dotes de tocador de conga) e Maria Reis, das Pega Monstro - para "II", o novo trabalho que acabam de lançar, de novo, pela nova-iorquina Golf Channel.




Não está por muitos segundos a entrada de rompante da luminosidade de "II" que parece que começa no exacto momento de escolher o que ouvir para conciliar pedaços e formas de vida com estados de espírito em pequenos minutos.
Mas não percamos o critério. A ligação umbilical entre o esplendor místico de África sem limites e a originalidade da perfeita combinação da balearica e dub, o lado hipnotizante e quase psicadélico do kraut motiv e as raízes da música de dança espremidas até à raiz do funk e disco...tudo isto continua aqui, mas nunca antes o lado mais free-rock dos Gala Drop esteve tão em evidência.
Ou talvez, não seja caso de termos de saber para que lado nos teremos de voltar e escolher, qualificar o que é que não é demasiado altissonante nem demasiado técnico num autêntico pagode. Começando pelo síndrome de Estocolmo da austeridade da oriental "You And I" com que os pespontos electrónicos encaminham um dub surpreendente pelos ecos de uma voz inesperada, encontramos logo de seguida o primeiro tema conhecido do disco, "Sun Gun", interligado na perfeição com a anterior "Big Things" para o topo cosmico-exótico do CD, tortuosamente mais perto de uma canção tradicional e, por isso, também mais perto do que mais parece difícil experimentar: a fuga ao desmembramento cuidadoso para colagem imediata aqui e acolá.
É na digressão pelas potencialidades, talvez ainda nem materializadas por completo, do universo sónico dos Gala Drop e pela forma como o colectivo é apaixonado pela música que sabe/quer fazer e exigente ao ponto de querer apenas beijar de forma inventiva o expectável - por um título, por uma linha de baixo, por um flash de sintetizador - que mais à frente "Monad", "All Things" e "Slow House" e "Let It Go" são tidas e achadas como gemas preciosas de uma reinterpretação e assimilação sem necessidade de retoque, o mesmo que nunca o samba vira sem maconha digital para o culminar de uma cascata excêntrica de sensações.





"II" é, em última análise, a jornada solitária de um veterano de uma cena musical tão diversificada, à procura do sol e que acaba por encontrar-se a si mesmo numa banda onde polirritmos, beats orgânicos e arpeggios clássicos são remediados de fresco.
Para os Gala Drop, onde conseguem ser mais expansivos e concretizar ideias, sobretudo ao nível do formato canção, que fariam de qualquer treinador de bancada gente feliz com lágrimas no rosto e com a cabeça às voltas porque a cereja não está nunca exactamente no topo do bolo.
E este "II" é, com os pés bem assentes na Lisboa fervilhante e já não serendipitosa de 2014, um álbum de outro Mundo.


André Gomes de Abreu




quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

HÁ MÚSICA EM...#3: FARO

Faro. Capital de distrito com cerca de meia centena de milhar de habitantes, um clima tão fabuloso quanto agreste, cidade de estudantes e de estrangeiros, simples visitantes ou à procura de um novo lar, a pouco mais de 100km da Espanha que Brites de Almeida tratou de acantonar em Aljubarrota. Mas, ao contrário do país vizinho, a cultura deste pequeno país dentro de Portugal esbarra em dois grandes pilares: o que se impõe ao turismo "de sempre" (até aqui nada de espantar) e um estranho silenciamento de grandes manifestações artísticas. É certo que há exemplos do que se pode fazer a partir do 0 (Pirate Weekend, Festival Verão Azul...), que não estamos alheados da boa programação que alguns espaços da cidade conseguem esquematizar quase de improviso, que há festivais como o Rock One e o Festival Adentro, entretanto substituído à última hora pelo Festival F, que se tentam implantar na cidade e nas redondezas - como não, se ao "Allgarve" pouco falta?
Mas de que cultura, gentes, espaços se faz algo no Algarve e, especialmente, em Faro?
Convidámos de novo 5 projectos musicais da cidade - Mundopardo, Killing.Electronica, The Wax Flamingos, Mopho e Rafael Rodrigues que faz parte dos An X Tasy e dos The Stray - para nos prestarem os devidos esclarecimentos. Ora vejam.

1. Em que medida é que a vossa cidade vos inspira ou inspirou, mesmo no sentido de iniciarem um determinado projecto ou rumo, para o vosso trabalho?
2. Há uma cena musical proeminente ou é difícil defini-la? 

3. Quais os espaços, na vossa opinião, com melhores condições para ensaiar e aprimorar trabalho? Usufruem de algum deles?
4. Conseguem retratar ou caracterizar minimamente, da vossa experiência, o público de Faro que vai a concertos? 
5. Que espaços de concertos ao vivo destacam em Faro? A oferta é suficiente para os músicos?
6. Da vossa experiência, as bandas e artistas de Faro trabalham bem em conjunto ou estão mais distantes do que seria desejável?
7. Que entidades ou associações mais contribuem para que Faro possa ter concertos ao vivo e oportunidades para os artistas?
8. Quem de Faro devemos ver ao vivo ou de quem devemos ouvir as suas músicas?
9. Quem quiser conhecer o maior número de artistas possível…a que concurso ou festival deve estar atento?
10. Por fim, pode-se Faro é uma cidade que trata bem os seus artistas?


MOPHO (Paulo Duarte)



1. Não creio que a cidade tenha tido qualquer influência no aparecimento do nosso projecto. O mais importante foi mesmo a consciência de que havia algo para dizer e vontade de o fazer através daquilo que nos une: o gosto pela música.

2. A cena musical de Faro é algo difícil de definir: não existe realmente uma grande dinâmica como já houve nos anos 90, embora já tenha atravessado um período muito mau. De algum tempo a esta parte começaram a surgir mais bandas com algumas a conseguirem já um certo reconhecimento e exposição.

3. Em Faro o melhor espaço é sem dúvida a ARCM – Associação Recreativa & Cultural de Músicos.
Esta associação foi fundada em 1990 e desde então tem sido sempre um local para as bandas poderem ensaiar, com salas individuais, e onde também puderam apresentar os seus trabalhos já que a associação tinha sala para concertos. Neste momento mudaram de instalações mas todas estas valências continuam a existir e é onde nós temos a nossa sala de ensaio.
Existe também um outro local, na Galvana, a 3 km de Faro, com salas de ensaio privadas onde também há mais bandas a ensaiar.

4. O público de Faro não é muito frequentador de concertos. Embora tenhamos uma universidade com muita gente de fora a estudar cá, de uma forma estranha isso não se reflete no número de espectadores nos espectáculos. Estamos, claro, a deixar de fora os amigos das bandas que, como é normal, vão aos concertos mas de um modo geral não há muita gente a ver bandas ao vivo.

5. Faro nunca foi uma cidade com muitos locais para se tocar ao vivo. Neste momento existe o Maktub, mais vocacionado para o jazz/blues, o Castelo, o Kubico, a Sociedade Recreativa Artística Farense – Os Artistas – também faz concertos de vez em quando, mas não temos realmente um bom local para concertos de rock.

6. Parece-me que as relações entre bandas poderiam ser mais próximas, poderia haver mais entreajuda, por exemplo, a partilhar contactos de locais para tocar, mas…

7. Sem dúvida a ARCM, o trabalho que têm vindo a fazer desde 1990 é notável a todos os níveis, neste momento temos condições de que poucas bandas ou associações se poderão gabar, mas as coisas são feitas por quem delas vai usufruir. Por exemplo, todas as salas de ensaio que temos neste momento foram construídas pelas próprias bandas. Isto não existe porque o estado deu dinheiro/subsídio, fomos nós que o fizemos.

8. Sabendo já que nos vamos esquecer de alguém e por isso as nossas desculpas:
An X Tasy, Mindlock, Fenoid, Nannok, Deep Coffee Nonsense, Godai e, claro, Mopho!

9. Não há festivais, nem concursos já há algum tempo, por isso o melhor mesmo é irem ao Facebook!

10. Sinceramente, nem por isso não, mas cá estaremos e outros como nós também porque a vontade de criar é sempre maior.


AN X TASYTHE STRAY (Rafael Rodrigues)





1. Quando andava no secundário, por volta de 1998, 3 amigos meus preparavam-se para iniciar um projecto de punk-rock melódico. Eu sempre gostei de música, desde muito novo, mas nunca ambicionei seguir carreira nesse ramo (ideia que ainda hoje se mantém). Na altura tinha um certo gosto por tocar guitarra mas sem nunca levar nada demasiado a sério. E foi nessa altura que sou convidado para tocar... baixo! Sempre fui a concertos de punk e hardcore (Punk-Kecas, Kontrattack, Sem Fuga...) e havia aquele bichinho de pisar um palco mas não sabia como chegar até lá. Comecei a tocar baixo e passado um ano estava a tocar com algumas das bandas mais influentes da região. Um sonho tornado realidade. A influência de Faro é mesmo essa, esta humilde capital algarvia é bastante pequena e toda a gente se conhece. Tu num dia não és ninguém e no outro dia toda a gente sabe quem és. Dum dia para o outro já conhecia praticamente toda a malta de bandas da cidade e isso abriu portas para muitos projectos que abracei mais tarde, em especial aquele que ainda mantenho há 12 anos: An X Tasy. No Liceu era normal a malta das bandas encontrar-se no páteo da entrada principal e ficarmos a falar de música e política. Isso unia bastante aquela malta que se identificava entre 
si, partilhando ideias e objectivos em comum.

2. Já houve. Custa-me admiti-lo mas já houve, sim. Ano após ano a cena vai-se degradando. Ganha-se em muitos aspectos: cada vez há melhores salas, melhores sistemas de som, backline de maior qualidade, mais bandas e cada vez melhores... mas perde-se o essencial: a paixão. Hoje em dia vês muitos putos preocupados com a tatuagem, a t-shirt da banda preferida, o pedal duplo extremo, o solo de guitarra técnico... mas a paixão dos 90’s já era. Na altura havia as bancas das zines, havia a K7 e o vinil, havia malta a vender comida nos concertos... hoje em dia não há nada disso. Tens o Facebook e pouco mais. A cena podia ser tão forte. Mas perdeu-se o espírito. Naquela altura era normal haver uma banda de punk-rock a tocar com uma de metal e, embora houvesse bastantes dedos apontados e críticas de parte a parte, toda a gente acabava por se apoiar pois havia um show para todas as bandas locais. Como havia muito menos espaços e condições para se tocar, a malta tinha de "engolir o sapo" e partilhar palco com bandas bastante diferentes. Tenho saudades disso. Acredito que isto, como tudo na vida, não passa de um ciclo e do mesmo modo que cada ano que passa há um estilo 
diferente de música na moda, eu acredito que esta "quebra" de pessoal nos shows também seja passageira. Tenho esperança que assim seja.

3. Sim, felizmente disso não me posso queixar. Faço parte da Associação Recreativa e Cultural de Músicos desde o meu primeiro ensaio (!!!) e sempre tive razoáveis condições para ensaiar. Sei que não é abundante haver espaços em que se possa ensaiar 24 horas por dia sem incomodar vizinhos mas felizmente tenho/temos tido essa sorte. Já vou na quarta sede da ARCM e até agora a vizinhança não se tem queixado muito. 

4. Pá...tal como disse anteriormente, na altura o público era bem mais diverso e conseguias ver metaleiros, punks e pessoal do hip-hop todos nas mesmas festas a curtir em conjunto. Neste momento, e com muita pena minha, está tudo bastante dividido e já não há aquela vontade de união e de nos abraçarmos todos pela mesma causa. Falta algo e nem te sei explicar o quê. Perdeu-se a mensagem, a crença, a vontade de partilhar algo com alguém. Hoje em dia a imagem sobrepõe[-se a] tudo e infelizmente para muitos é isso que conta. Nos anos 90 a mensagem era uma componente bastante forte, a juventude gritava por ideais e vivia-os no dia a dia, fossem eles políticos, sociais, pessoais, etc. Mas estava tudo a remar para o mesmo lado.

5. Não, nem de longe. Neste momento há vários espaços em Faro para música ao vivo mas com bastantes limitações, pelo menos no que diz respeito ao movimento underground. Tirando a ARCM que abre as portas a todos os que quiserem apresentar os seus trabalhos, pouco mais há para tocar. Tens bares como o Ditadura e o Maktub ou salas como os Artistas ou o Club Farense mas todos eles têm um público-alvo e muitas limitações no tipo de música a aceitar. 
Há uns bons anos ainda havia o Arcádia, que fez bastante pela cena underground, e há muitos mais anos havia bares como o Tal Bar e o Morbidus que foram peças fundamentais naquilo que é a cena local farense nos dias de hoje.

6. Julgo que já respondi a isso mais acima. Em Faro, felizmente, toda a gente se dá bem e há poucas rivalidades. No entanto, cada um faz por si e não há mais aquela cena de se fazer em conjunto. Não chamo a isso competição, felizmente, mas apenas perdeu-se aquela iniciativa de ‘vamos lá juntar 3 ou 4 bandas diferentes e fazer um evento para todos’. Isso já era, com bastante pena minha.

7. De momento tens a Associação Recreativa e Cultural de Músicos e pouco mais. Associações contam-se pelos dedos, a maior parte delas falida ou parada e as que estão no activo são cada vez mais selectivas, o que aumenta as barreiras para o meio underground.

8. Toda a gente, não vou mencionar nem discriminar. Toda a gente merece ser ouvida, mesmo que seja para se criticar a seguir. Prefiro mil vezes que me critiquem conhecendo o meu trabalho do que apontarem o dedo e falarem mal sem conhecimento da questão. Há muita gente a dizer que An X Tasy é uma banda hardcore e em 12 anos é capaz de ser a única vertente que nunca seguimos. Eu oiço hardcore no dia-a-dia e muita gente associa a banda a essa vertente por me conhecerem sempre igual. Mas quem não nos ouvir e falar à toa está a privar-se de conhecer mais um projecto da região.

9. Não ando muito atento a esse tipo de cenas. Mas acho que os festivais locais são bastante importantes e influentes e lamento imenso que estejam a desaparecer a uma velocidade fulminante dia após dia. O convívio vivido neste tipo de iniciativas é algo incomparável.

10. Essa questão é traiçoeira. Não me posso queixar muito e em grande parte por todo o apoio e força que a ARCM tem dado à cultura e arte da região nas últimas duas décadas. No entanto, podia haver muito mais. Antes havia mais festas nas escolas secundárias e eram memoráveis, havia mais eventos multi-culturais e isso tende a desaparecer com o tempo. Mas não acho que Faro seja das piores localidades, tendo em conta a reduzida dimensão da cidade. Se bem que eu não vejo as coisas como propriamente Faro, mas sim o Algarve. Tens Loulé, Portimão, Olhos d’Água, entre outras localidades, que também contribuem para o desenvolvimento cultural da região. Felizmente dentro do Algarve há bastante proximidade entre bandas, promotoras e salas de espectáculo. Toda a gente se dá razoalmente bem e isso ajuda bastante na promoção dos artistas locais.


MUNDOPARDO



1. 
Para a formação dos Mundopardo, Faro foi uma cidade determinante pois os 4 frequentamos a Universidade do Algarve e, particularmente, fazemos parte da Versus Tuna. As nossas principais vivências e o nosso crescimento musical têm como pano de fundo esta cidade. Por outro lado, sendo uma cidade tão distante do epicentro da nova música portuguesa, é para nós um incentivo maior crescer enquanto banda nesta cidade e, se tudo correr bem, colocá-la no “mapa” da música portuguesa. Para não falar da inspiração que nos tem dado a escrever as letras, pelas pessoas que aqui vivem e pelas histórias que conta.

2. Se calhar há uns anos a maioria das bandas farenses a tocarem originais procuravam um rock mais pesado, metal e hardcore. Hoje em dia existem já alguns grupos e músicos associados ao jazz e blues mas se calhar a maioria toca mais versões de outras bandas. No entanto, há novas bandas de originais a aparecer, nos mais variadíssimos estilos, por isso a cena musical em Faro já vai sendo difícil de definir.

3. Em Faro a oferta de espaços para as bandas ensaiarem é muito curta. A Associação Recreativa e Cultural de Músicos é talvez o único espaço para esse efeito. Nós ensaiamos ou na casa de um de nós, até porque somos uma banda que usa pouco material, ou na casa da minha tia quando ensaiamos com bateria. Obviamente que gostaríamos de ter um espaço muito melhor, onde pudéssemos ter o material sempre disponível - uma garagem ou algo do género, mas isso implicaria outros custos.

4. Nós somos uma banda relativamente recente, ainda é difícil traçar um padrão. Estando nós ligados à UAlg seria de esperar que muitos estudantes marcassem presença. No entanto, aqueles que aparecem são amigos próximos. Mas isto acontece na maioria dos concertos que acontecem em Faro, os universitários não aderem assim tanto. A maioria das pessoas que nos vão ver são de Faro, da nossa idade e mais velhos.

5. 
Faro tem muitos espaços para música ao vivo. Muitos bares têm música ao vivo quase todas as semanas, onde acolhem alguns músicos que tocam versões. Depois há o Maktub Bar, que tem sempre todas as semanas jazz à Quinta e uma banda, de originais ou não, às Sextas. A Sociedade Recreativa Artística Farense promove concertos n’Os Artistas, de bandas reputadas a nível nacional e de bandas locais por vezes. A Associação Recreativa e Cultural de Músicos tinha muitos concertos mas entretanto o espaço encerrou e reabriu noutra zona da cidade.
No Verão a cidade de Faro tem palcos na baixa onde também acontecem alguns concertos de bandas da região. Por fim, o Teatro Municipal de Faro é uma sala fantástica que tem alguns concertos por ano, no entanto não tantos quanto deveria. Felizmente, já tivemos oportunidade de tocar em quase todos, e são todos espaços muito bons.

6. Até há uns meses não tínhamos percepção disso, mas hoje podemos afirmar que existe muita colaboração entre músicos. Nós na gravação do nosso álbum contamos com a colaboração de músicos de outros projectos, e em palco tocamos com o Filipe Cabeçadas, guitarrista dos Nome e envolvido noutras bandas. Depois, outros músicos vão trabalhando em conjunto, seja a nível criativo ou somente na execução em palco.

7. A Associação Recreativa e Cultural de Músicos sempre foi a associação que mais colaborou e mais apoiou os músicos farenses. Depois há também a Sociedade Recreativa Artística Farense, que promove muitos concertos e à qual estamos muito gratos por todo o apoio que nos deram desde o início. A Associação Ar Quente, no Verão, também promove vários concertos, em parceria também com “Os Artistas”.

8. Dos músicos e bandas farenses a ver ao vivo e conhecer as músicas destacamos Nanook o Vagabundo, An X Tasy, Diogo Piçarra, Nome, Fad’Nu, Killing.Electronica, The Miranda’s e The Wax Flamingos. A Teresa Aleixo, que gravou um tema connosco, vai gravar o álbum dela brevemente, vale a pena ouvir também. Ah e se puderem ouçam Mundopardo também, dizem que é agradável.

9. O MED deste ano em Loulé contou com muitas bandas da região. O Festival Adentro, em Faro, também vale a pena visitar. Depois, é estar atento à programação d’Os Artistas durante o ano. Atualmente não há assim tantos concursos como havia há uns anos
valentes.

10. 
Faro está a crescer a nível musical e as pessoas vão estando a par disso. É óbvio que poderia haver sempre mais divulgação e mais interesse, vemos quase sempre as mesmas pessoas nos eventos culturais. A cidade não trata mal os artistas, mas poderia fazer esse trabalho muito melhor. No entanto falta ainda envolver mais a comunidade académica para a música farense, muitos dos alunos que por cá estudam não conhecem espaços tão emblemáticos desta cidade como a ARCM, Os Artistas o ou Teatro Lethes.


THE WAX FLAMINGOS (André Rosado)



1. Nós nascemos literalmente na Ria Formosa, na praia de faro, e isso influenciou-nos na metade da medida, ou seja, se metade do que fazemos é urbano, a Ria Formosa, a nossa cidade, trouxe-nos o outro lado mais “rural” ou mais “da praia”, como se quiser chamar.

2. Não sei dizer porque somos naturalmente afastados da cena musical.

3. Não sei. Não.


4. Não há um hábito generalizado de ir a concertos. Há um público específico e pequeno dado que é uma percentagem da população da cidade que é pequena. Quando há eventos de maior escala e bem organizado com artistas de fora o público que não costuma ir agrega-se e participa. Exemplos: Festival F e Festival de Blues.

5. Maktub, Castelo, Artistas, Ditadura.

6. Não sei dizer porque somos naturalmente afastados da cena musical. Mas parece-me que são geralmente muito amigos e pouco focados nos resultados.

7. Câmara Municipal, Sociedade Recreativa Os Artistas, Ar Quente, Associação de Músicos.

8. Deep Coffee Nonsense, Mundopardo, Sam Alone, Tribruto.

9. Para conhecer artistas novos, cremos que todos os pequenos festivais assim como concursos. 

10. Sim.


KILLING.ELECTRONICA (Marcos Alfares)



1. O Algarve sempre nos influenciou na forma como escrevemos ou vemos a música. Apesar de termos nascido os três em cidades e regiões diferentes do país, foi aqui que acabaríamos por nos conhecer e fazer mover este projecto que são os Killing.Electronica.

2. Penso ser difícil defini-la. Existem inúmeros projectos e músicos de variados estilos o que é bom mas que também cria alguma dificuldade em agendarmos concertos com grupos de estilo semelhante. Para nós, sempre foi difícil fazê-lo. Não que não tenhamos prazer em envolver em palco connosco outros estilos, pelo contrário, mas sempre que isso aconteceu sempre sentimos pouca envolvência ou adesão do público a esse género de eventos. 

3. Temos um espaço próprio para ensaios mas como espaço público e de apoio a grupos e artistas, necessitamos referir a Associação Recreativa e Cultural de Músicos de Faro (ARCM) que, apesar de várias dificuldades ao longo dos anos, tem continuado a oferecer um espaço de trabalho e criação e a sua ajuda na projecção de novos músicos.

4. Para Killing.Electronica sempre foi difícil estabelecer-se no meio musical do Algarve. Em todos estes anos sempre tivemos ao nosso lado projectos musicais distantes do nosso e isso criou sempre uma barreira na interligação com outros músicos. No Algarve e dentro do meio underground, poderás encontrar grupos de metal, hardcore ou de hip-hop mas o que fizemos sempre foi visto um pouco à margem. 

5. Para a quantidade de artistas/músicos que existe, a oferta que existe é suficiente. No Algarve é necessário destacar: ARCM, Club Farense e Os Artistas (Faro), Bafo de Baco (Loulé), Marginália Bar (Portimão) e Laboratório de Artes Criativas (Lagos). 

6. Pelo menos, do nosso ponto de vista, consideramos que as bandas estão longe daquilo que se esperaria da troca de conhecimentos e trabalho em conjunto. Costumo dizer que o rock ainda tem muito que aprender com o hip-hop no que respeita a trabalho e parcerias entre músicos.

7. Infelizmente, esse trabalho é realizado na sua maioria de forma independente pelos próprios artistas mas é isso também que fortalece e motiva cada um a lutar pelos seus próprios objectivos. Contudo, isso atrasa-nos em todo o processo e a “viagem” torna-se bem mais longa. Fora isso, temos a ARCM de Faro e os espaços de concertos que referimos anteriormente que nos ajudam como plataforma física de divulgação do nosso trabalho.

8. Existem alguns artistas que realmente é obrigatório ouvir/assistir ao vivo o que andam a fazer. Alguns deles amigos, outros com quem partilhámos palco ou apenas porque admiramos o seu trabalho mas principalmente por considerarmos verdadeiramente talentosos ou porque têm algo a dizer na música: The Quest (Lagos), An X Tasy (Faro), Mopho (Faro), Sagespectro (Loulé), Tribruto (Loulé).
   
9. Existem variados festivais/concursos organizados durante todo o ano pela ARCM, Marginália Bar e Bafo de Baco que são obrigatórios no que respeita a conhecer novos músicos não só da região do Algarve como também de todo o país e outros nomes internacionais. São três espaços bastante profissionais e que apresentam todo o ano um cartaz repleto de pequenas boas surpresas para quem gosta de conhecer nova música. 

10. No meio em que nos inserimos e a partir da nossa própria experiência no panorama musical, penso que os meios de ajuda poderiam ser maiores e melhores. Apesar de não vivermos neste momento nas melhores condições a nível cultural e artístico, penso que falta também por parte das próprias câmaras municipais e todo o seu envolvente: a existência de interesse e apoio nos artistas que são da própria região e a tentativa de lhes oferecer algum reconhecimento por aquilo que realizam pelos próprios meios e que, muitas das vezes, acabam por promover as próprias cidades onde habitam ou de onde são provenientes. E, neste sentido, pensamos que a cidade de Faro ou qualquer cidade no Algarve, poderia fazer mais pelos seus.




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