quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

DE E POR: THE RAMBLERS - "Wet Floor" (2015, Music In My Soul)

"Wet Floor": assim é o título do disco de estreia dos The Ramblers, Mafalda, Ricardo e Luís, composto de 13 faixas no total (a última é uma faixa-bónus devido à recuperação de "Blues Nest"). Embora numa nova editora, a banda não se afasta muito das suas origens e continua, por um lado, à procura de assentar de vez um refrescar do blues-rock da actualidade à medida que ascendem a novos palcos, e por outro a não renegar a tendência tradicional do género de evoluir e mesclar-se com outros ritmos e sonoridades até chega a um híbrido da world music entre o rock n' roll - aqui já os Rolling Stones de "Midnight Rambler" já não chegam com a mesma intencionalidade e intensidade.
As influências e as lembranças continuam a ser muitas e a capacidade de trabalho da banda, em estúdio e ao vivo, não deixou de ser impressionante e de garantir uma sobriedade ao nível da opinião generalizada que arrancam.
O que mudou nesta (r)evolução no passado que é presente? Foi o que pedimos que os The Ramblers nos contassem numa pequena passagem por cada uma das canções deste registo.



























Pow How

Um 'pow-wow' é uma reunião dos povos nativos da América do Norte. Nós somos um bocado índios também (pelo menos quando nos juntamos) e por isso tínhamos de ter o nosso próprio termo. Este 'single' e o 'videoclip' são um Pow-How do início ao fim!





Witch’s Creed

O Richards pegou numa música pirata e fez um 'riff' de rock. A Rosie fez uma letra sobre uma batalha apocalíptica de queima às bruxas. 'It’s awesome like that'.


Carry Me Back

Estava um frio de rachar na auto-caravana onde dormimos durante uma semana quando gravámos o nosso primeiro EP em 2012. Como tal, o Richards e o Lou entretinham-se a tocar guitarra e harmónica para ir aquecendo durante a noite, até lhes dar o sono. A 'Carry Me Back' nasceu aí, com guitarras acústicas e harmónica. Mais tarde, a Rosie acrescentou a letra durante a digressão de promoção do CD numa noite em que dormimos na casa de Pombal do Richards, depois de tocar em Coimbra. Aos poucos fomos apresentando a música ao vivo e ela foi crescendo dessa maneira, cada vez mais poderosa, até ao que podemos ouvir neste disco.


Little Girl Trouble

Esta música é querida. A sério, é mesmo mesmo querida. E nós assumimos isso, sem vergonha. Às vezes também faz parte. Explorámos uma sonoridade e ambiências um pouco diferentes da nossa área de conforto e o resultado foi surpreendente para nós!


Dead Men Tell No Tales

Oh. Dirty, dirty blues, man…


Wet Floor

Típico processo de composição da banda. O Richards e o Lou juntaram-se em casa, juntaram o 'riff' de cada um num só, fizeram uma pequena estrutura e depois o embrião da música andou pendurado nos ensaios durante um mês ou dois sem que lhe pegássemos a sério. Quando nos juntámos para finalmente preparar o álbum, percebemos que tínhamos esta pérola por usar. Como o nome do disco já estava decidido mas não tínhamos música de 'apoio' a Rosie escreveu uma letra que fala da nossa jornada até este disco. Ah, e temos coros em falsete.


Come Together

Nope, não é uma 'cover' dos Beatles. No distante ano de 2011 (ou 2009, não fazemos ideia) o Lou mostrou à Rosie a linha de baixo que ficou até hoje. À mesa de jantar da cozinha da avó dela (tão rock ‘n’ roll) estruturámos a música com a letra. Por alguma razão que desconhecemos tivemos de esperar até 2014 para a gravar. A onda da linha de baixo era bué de 'reggae', mas com os coros e arranjos de guitarra acabou por ficar muito 'soul', muito boa onda!


Blues Nest

O álbum devia ter só 12 faixas, foi isso que a editora pediu. Mas depois decidimos que era mesmo mesmo importante gravar a primeira música que compusemos, em 2007. É um 'blues' que fez uma paragem sabática das nossas 'setlists' ao vivo mas que voltou recentemente, também por nostalgia, e como tal achámos que fazia todo o sentido ter a nossa primeira composição no nosso primeiro 'long-play'.


The Rambler

'Blues-rock' com cheirinho a 'country'. De certa forma é a nossa homenagem ao legado do Johnny Cash.


Old Dimes

'Riff' da Rosie, que nos cantou tal e qual como queria o arranjo da nova letra. O Richards deu-lhe o toque Muddy Waters, o Lou deu-lhe o toque de 'soul' 'et voilà'!


Rockin’ And A-Rollin’

Na edição 100 do Offbeatz convidaram-nos, junto com outras bandas, para interpretar uma 'cover' de uma música à nossa escolha no Musicbox. Na altura celebravam-se os 50 anos da morte do Elmore James por isso achámos interessante tocar uma 'cover' da 'Shake Your Money Maker', que é um 'blues' bastante arcaico mas tão rápido e 'groovy' que sempre o curtimos imenso. Fizemos um arranjo diferente (com um toque Stevie Ray Vaughan) e tivemos reacções brutais nessa noite. O arranjo era tão diferente do original que nos concertos seguintes decidimos pegar numa letra pendurada do Richards que a Rosie completou e mantivemos viva a música. Mas deixámos o mote no final da música: 'Shake Yo’ Money Maka'!


Prayer

Numa noite de pow-how (ver descrição da primeira música) acabámos a cantar e tocar a 'Povo que Lavas no Rio' da Amália Rodrigues, com as guitarras acústicas. Mas o avanço da noite era tanto que fizemos uma versão 'blues'. Quando mais tarde tentámos reproduzir o que tínhamos feito baralhámos completamente a progressão dos acordes, mas no meio dessa confusão o Richards compôs um 'riff' lindíssimo de guitarra 'slide'. A nova letra e interpretação da Rosie deram uma vida nova à música e no final decidimos acompanhar todos a guitarra numa espécie de cantar boémio/alentejano (na melhor das nossas possibilidades!). 


Lucky Sour Cream

Esta música é qualquer coisa. Pelo 'riff' de guitarra, pela interpretação e coros da Rosie e pela letra. A letra foi construída pela Rosie através da junção de recortes de várias palavras que escrevemos em pequenos papéis num bar. O 'riff' de guitarra do Richards vem-lhe da fase Ravi Shankar e a bateria e o baixo dão-lhe uma vida poderosa. Daquelas músicas que nos custa a acreditar que fomos mesmo nós que fizemos. Mas fomos: se quiserem ter a certeza podem comprar o disco porque está lá nos créditos!




terça-feira, 20 de janeiro de 2015

TALENTOS PARA A TROCA #2

Estes são tempos novos. Tempos mais cinzentos para alguns, menos para outros.
A linguagem do hype já não existe, a antecipação intersecta o presente e o "agora" é uma exigência permanentemente insatisfeita.
O início de um novo ano já pouco certifica, para o melhor e para o pior: as surpresas e as desilusões multiplicam-se, desenvolvem-se, contraatacam-se por esperanças e novidades.
Mas estes são talentos para a troca: façamo-los maiores e tenhamos a certeza de que mais surgirão. São moedas de troca para um futuro em que haja eco de algo.
Conheçam um pouco melhor estes cinco. 


Sun Blossoms



Porquê, simplesmente, Sun Blossoms?

Porque o sol aumenta-nos os níveis de serotonina e faz-nos sentir bem; costumo sentir-me muito mais inspirado nessas alturas, é quando costumo escrever e a minha música acaba por ser um produto disso. Gostava de fazer as pessoas sentirem-se no melhor dia de Verão quando ouvem Sun Blossoms.


Como defines a música que produzes?

Não gosto de colar designações em música, mas se tivesse de explicar a alguém diria que é 'rock' 'dreamy' e um pouco preguiçoso.


Qual é a tua melhor canção?

Não sei, espero que ainda não tenha escrito a minha melhor canção. Estou mais interessado em saber a opinião de quem ouve em relação a isso, acho que o que se torna mais importante é a interpretação pessoal que cada um faz e a forma como se identificam com a música do que o que eu acho sobre elas. É muito difícil ter uma opinião sobre o nosso próprio trabalho porque nunca vai ser imparcial, sinto que sou demasiado crítico quando muitas vezes são coisas que não importam muito; ninguém quer saber se gravaste com a melhor qualidade de som de sempre ou não, boa música é boa música e deve ser apresentada da forma mais genuína.


Pensas que, hoje em dia, a música que criam é mais importante do que a comunicação e o 'marketing' que tens de fazer para a promover?

Acho que hoje em dia muitas bandas perdem mais tempo na divulgação do que na própria música só para terem aquela margem de 30 segundos em que alguém te ouve na 'net' e decide se vai ouvir mais ou não. Eu gosto de fazer música e é nisso que me concentro, é isso que é mais importante. Eu não ganho dinheiro nenhum com a música, se tivesse de perder mais tempo com divulgação e 'marketing' preferia fazer outra coisa.


De que revista não te importarias de estar na capa?

Não é uma coisa que ambiciono, não acompanho regularmente nenhuma revista.


Primavera Sound, Glastonbury ou Lowlands? 

Nunca fui a nenhum mas acho que o Primavera costuma ter os cartazes mais interessantes.


Spotify, Pandora ou Grooveshark?

Alguém usa Pandora ou Grooveshark?


MP3, FLAC, WAV ou vinil?

Cassete.


Que nem o Prof. Marcelo, sugestões de cultura musical?

Em termos de cinema gosto de Jodorowsky, o 'El Topo' e o 'Holy Mountain' são dos meus filmes preferidos. Além disso, gosto muito do '8 1/2', 'Gummo', 'Blow-up', 'Enter the Void', 'A Clockwork Orange', 'Scorpio Rising'... e a banda sonora do 'Five Summer Stories' feita pelos Honk também é muito boa.
Em termos de música há demasiado mas algumas das bandas que me influenciam são Velvet Underground, Brian Jonestown Massacre, Sonic Youth, Guided By Voices, The Clean e Further.


Qual é a pergunta mais irritante que te podem fazer?

Não há nada que me irrite muito, depende do contexto.


5 canções para 5 cenários/situações diferentes.

The Clean - Point That Thing Somewhere Else: andar na rua sozinho e sabes exatamente para onde vais.
Brian Jonestown Massacre - Telegram: desilusão.
Tomorrows Tulips - Free: amor.
The Growlers - Empty Bones: festa.
White Fence - Slaughter on Sunset Strip: adeus.



insch



Porquê insch?

insch é uma palavra que deriva de um termo céltico escocês, perdido no tempo, em que uma das suas interpretações é 'santuário' ou 'porto seguro', até mesmo 'ilha' ou 'terra firme' num sentido mais literal. E a música, esta banda, tem esse mesmo significado para nós, um porto seguro do que nos rodeia, o tal santuário para onde podemos ir e expressar as nossas emoções e criatividade.


Como definem a música que produzem?

Não é fácil responder a essa pergunta porque o não estabelecimento de rótulos nem fronteiras óbvias foi uma das poucas regras que definimos à partida. Diríamos que a melhor definição que podemos fazer da nossa música é a seguinte: intensa (nos 'riffs', nas distorções, na sonoridade), muito pessoal/biográfica (nos temas, nas letras) e honesta (tocamos essencialmente para nós e não procuramos receitas fáceis/de sucesso).


Qual é a vossa melhor canção?

Provavelmente a próxima que criarmos, também porque estamos a crescer como compositores e como banda (ainda não completámos sequer 1 ano). É muito difícil definirmos preferências porque o facto de não nos limitarmos musicalmente faz com que tenhamos músicas com sonoridades muito diferentes entre si, umas mais 'rockeiras', outras mais alternativas, outras ainda mais calmas e introspetivas. Não existe consenso, nem na banda nem entre amigos, o que tem acontecido é a preferência de cada um variar ao longo do tempo.


Pensam que, hoje em dia, a música que criam é mais importante do que a comunicação e o marketing que têm de fazer para a promover?

É e será sempre. Numa entrevista de 2013 ao Noisey, o Josh Homme (QOTSA) disse '[...] when you expect anything from music, you expect too much. You play for yourself, you play to enjoy it and you make the most of it, for you. period.'. Antes de mais, tem de vir a música. A comunicação e o 'marketing', naturalmente da maior importância, são complementos ao essencial: a música. Se o que criarmos não tiver qualidade, e por qualidade entenda-se 'o sentimento mútuo de estarmos a criar algo com intensidade e significado para a banda', não há 'marketing' que lhe valha. A música que produzimos será sempre mais importante que a comunicação e o 'marketing' que façamos, mesmo que signifique que nunca venhamos a tocar para mais de 50 ou 100 pessoas.


De que revista não se importariam de estar na capa?

Há poucas (risos)! Não nos importaríamos de estar na capa de revistas que fizessem um peça interessante sobre o nosso projeto, não necessariamente publicações musicais. Naturalmente, havendo possibilidade de escolha, gostaríamos que fossem as revistas que seguimos habitualmente, a Blitz, o NME, a Rolling Stone, entre outras. Mas até na revista do Expresso seria interessante, se fizessem uma edição dedicada a música, por exemplo. 


Primavera Sound, Glastonbury ou Lowlands? 

O curioso é que provavelmente cada elemento da banda iria para um festival diferente, dadas as referências e personalidade musical que cada um traz ao trio. O Migalhas (bateria) é mais 'pop', o Manel (baixo) é mais 'indie' e alternativo e o Tiago (guitarra e voz) é mais 'rock'.


Spotify, Pandora ou Grooveshark?

Tradiio. É uma plataforma/app portuguesa de distribuição gratuita de música nacional, bom para se ouvir coisas novas. Os insch andam por lá!


MP3, FLAC, WAV ou vinil?

Objetivamente, pouco importa, desde que seja boa música, com o volume bem alto. Sentimentalmente, temos uma preferência clara pelo vinil (o Tiago e o Manel coleccionam vinis), há toda uma mística na 'sensação física de música' que um vinil carrega e que entretanto se perdeu com a digitalização da indústria. Não é por 'puritanismo do som' mas até pelo efeito oposto, o vinil é o formato que melhor capta o realismo e as imperfeições das gravações, os trastes da guitarra e até o som das palhetas nas cordas...enfim, os pormenores que tornam a música humana e não apenas retalhista do Pro Tools do 'autotune'. Mas andamos todos com o iPod no bolso, não sejamos hipócritas (risos).


Que nem o Prof. Marcelo, sugestões de cultura musical?

Como referimos acima, (entre o trio) ouvimos estilos de música tão diversos e até mesmo 'divergentes' que as sugestões iriam de Chet Faker ao novo de FNM. A evolução de cultura que mais gostaríamos de ver acontecer seria a de as pessoas ganharem gosto/iniciativa a sair de casa para procurarem música nova e original, de bandas que tentam criar e expressar emoções próprias. É frustrante a dificuldade em encontrar mais espaços para tocar música original, estar sempre a ouvir 'é uma pena não tocarem uns covers'.


Qual é a pergunta mais irritante que vos podem fazer?

'Não querem cá vir tocar de graça, que assim promovem a vossa música?' (já tocámos várias vezes sem cachet mas é a 'chica-espertice' quase sempre inerente a essa questão que nos incomoda)


5 canções para 5 cenários/situações diferentes.

Deftones - Be Quiet And Drive: para abrir a pestana nos dias de mais sono, para dar aquela energia extra.
Nine Inch Nails - Right Where It Belongs: para nos motivar a sermos melhores, a lutar contra a hipocrisia e crítica que tantas vezes nos rodeia.
Silverchair - Emotion Sickness: para 'fritar' intensamente nos momentos tristes ou melancólicos.
Rage Against The Machine - Killing In The Name Of: para fechar uma boa noite de copos, com os amigos do peito, e fazer um mini 'mosh-pit'.
The White Stripes - Ball And Biscuit: quando te queres sentir poderoso e a pessoa mais 'cool' da sala.




bibi ross




Porquê, simplesmente, bibi ross?

Lembro-me vagamente de ter idealizado originalmente B.B. Ross e de ter deixado a ideia evoluir para Bibi. Ambos começam pela mesma letra do meu nome próprio, Beatriz, e sempre quis um nome que preservasse essa identidade que já me era intrínseca. Ross é simples e soou bem, de maneira que na sua totalidade acaba por me remeter para o universo do 'R&B', seja pela diva Diana Ross ou pela baterista da Beyoncé, Bibi McGill.


Como defines a música que produzes?

A música que faço é maioritariamente R&B e 'hip-hop', muitas vezes, melancólico, triste, e lento. É claro que há excepções, ‘I Belong To You’ é o melhor exemplo. As minhas letras, quase sempre auto-biográficas, podem também surgir de fantasias, histórias ou frases que acho que valem a pena serem cantadas. Tenho explorado vários lados mais alternativos, porque acho que a inovação parte do impulso de alterar o que 'está a ser feito'. Acima de tudo, penso que a minha música tem cor e substância. Pelo menos tento que tenha.


Qual é a tua melhor canção?

‘So Far’, até agora (lol).


Pensas que, hoje em dia, a música que crias é mais importante do que a comunicação e o marketing que tens de fazer para a promover?

A música que crio tem de ser boa e eu tenho que acreditar nela. Não posso promover um mau produto, nem um produto que não me diz nada. Enquanto estudante de Design de Comunicação, sei bem como a minha identidade/conceito e estratégia de 'marketing' são importantes para a promoção da minha arte. No entanto, sou da opinião de que excelente música sem qualquer promoção é melhor e bem mais importante (e de louvar) do que mediocridade publicitada por todos os lados.


De que revista não te importarias de estar na capa?

Billboard (e da Vogue, já agora). 


Primavera Sound, Glastonbury ou Lowlands? 

Glastonbury. 


Spotify, Pandora ou Grooveshark?

Soundcloud.


MP3, FLAC, WAV ou vinil?

Vinil. Mas vá, à falta do vinil, MP3.


Que nem o Prof. Marcelo, sugestões de cultura musical?

‘Decoded’, livro Jay-Z.
‘This is It’, documentário Michael Jackson.
‘Life Is But A Dream’, documentário Beyoncé.
‘Sister Act’, clássico.
‘Off The Beaten Track’, documentário Buraka Som Sistema.
‘8 Mile’, filme Eminem.
‘Revolt TV’, bom site de notícias do mundo 'hip-hop';
‘Soulection’, editora discográfica independente baseada em LA, faz tournées pelo Mundo, é possivelmente a melhor fonte de música de R&B alternativa do mundo, de momento;
‘YG Entertainment’, record company, e o 'K-Pop' no geral, é digno de caso de estudo, pela qualidade e enormidade da indústria musical asiática;
Por fim, ‘Dreamgirls’, para as meninas que querem ser cantoras.

Qual é a pergunta mais irritante que te podem fazer?

'Então, ainda cantas?', ou então, 'Porque é que não vais cantar aí a uns barezitos?'.


5 canções para 5 cenários/situações diferentes.

A$AP Rocky - Fashion Killa: andar na rua com alto estilo, 'sunglasses on'.
Dire Straits - Boom, Like That: viagem num carro descapotável com os cabelos todos a esvoaçar.
Rich King - Freedom: experimentem pôr esta música a tocar se estiverem no avião, as nuvens por baixo e um sol radiante, é mágico prometo.
DJ Khaled - I’m On One: in the cluuuuub!
Jill Scott - When I Wake Up: o meu despertador.



Só mais uma:

PARTYNEXTDOOR - Persian Rugs:
 para aquela noite sensual com alguém especial, you know...




Ekco Deck



Porquê Ekco Deck?

É uma forma de catalogar uma parte do nosso trabalho ligado à musica de dança electrónica. Remete para a ideia de recolha de 'samples' ou 'loops', que é a base deste trabalho.

Como definem a música que produzem?

Techno.


Qual é a vossa melhor canção?

Normalmente é a última que fazemos. 


Pensam que, hoje em dia, a música que criam é mais importante do que a comunicação e o marketing que têm de fazer para a promover?

Há boa música e há bom 'marketing': são assuntos distintos, ambos importantes.


De que revista não se importariam de estar na capa?

Revistas de música e Correio da Manhã.


Primavera Sound, Glastonbury ou Lowlands? 

Os três, claro, e se possível o Burning Man.


Spotify, Pandora ou Grooveshark?

Só experimentámos o Spotify.


MP3, FLAC, WAV ou vinil?

Preferimos não usar MP3.


Que nem o Prof. Marcelo, sugestões de cultura musical?

Música: The Caretaker.
Cinema: 'Stranger by the Lake', de Alain Guiraudie. 


Qual é a pergunta mais irritante que vos podem fazer?

'Porquê Ekco Deck?'


5 canções para 5 cenários/situações diferentes.

Phillipe Manoury - Dickinson Studies: para ouvir em casa no sofá, volume quase no máximo, até deixar de ouvir discussões do apartamento de cima.
The Shaggs - Philosophy Of The World: ao acordar e desligar logo.
Aphex Twin - Circlont6A: num 'sidecar' a caminho da praia, no Inverno.
OM - At Giza: encostados de castigo a um canto.
Ekco Deck - Flagpole: em qualquer altura (um dos temas do EP de estreia com edição para breve).





Crude



Porquê Crude?

Por ser multilingue, porque nos lembra energia, fósseis, passado e presente e também pelo seu outro significado não energético: cru, não polido. 


Como definem a música que produzem?

Restos de organismos com milhões de anos a serem queimados libertando 'rock' e psicadelismo para a atmosfera.  


Qual é a vossa melhor canção?

Poderíamos ir pela resposta fácil e dizer que é aquela que ainda não compusemos. Até pode ser verdade mas falando do que já existe, a 'Datura', uma música que já apresentámos ao vivo mas que ainda não gravámos.


Pensam que, hoje em dia, a música que criam é mais importante do que a comunicação e o marketing que têm de fazer para a promover?

Pensamos que no fundo são coisas indissociáveis e que cada vez mais se sobrepõe a forma ao conteúdo. Gostamos, no entanto, de acreditar que a música é o mais importante e que sem ela não haveria nem comunicação nem 'marketing' para promover algo que não existe. 


De que revista não se importariam de estar na capa?

Da Oil & Gas Journal, ser capa da revista da Galp ou sonhando mais alto, ser capa da Shell ou da BP. Não obstante, e sendo mais terra a terra, não nos importaríamos de ser capa da Terrorizer ou da Revolver. 


Primavera Sound, Glastonbury ou Lowlands?

A resposta varia conforme cada membro da banda mas qualquer um destes seria uma grande experiência. Unanimemente teríamos de optar por um que não consta na pergunta: Roadburn. 


Spotify, Pandora ou Grooveshark?

Sharknado.


MP3, FLAC, WAV ou vinil?

K7 só para sermos 'trendy'. Na realidade apreciamos os quatro formatos cada um à sua maneira:
 - Vinil pelo 'vibe' e qualidade de som.
 - WAV pela qualidade e por ser o 'standard' em estúdio.
 - FLAC porque soa  maravilhosamente sendo mais prático que o WAV.
 - MP3 porque apesar da perda de qualidade é extremamente portátil.


Que nem o Prof. Marcelo, sugestões de cultura musical?

3 sugestões musicais:
 - Such Hawks Such Hounds
 - The Rocky Horror Picture Show
 - Pink Floyd: Live at Pompeii


Qual é a pergunta mais irritante que vos podem fazer?

Todas as perguntas acima feitas. Ok, agora sem brincar, qualquer pergunta que vise distrair da música que fazemos e se foque em algo que não nos interessa. 


5 canções para 5 cenários/situações diferentes.

Clemente - Vais Partir: cavalgar nas auto-estradas.
Ana Malhoa - Tá Turbinada: lutar contra a guerra. 
Sleep - Dragonaut: vegetar.
Fela Kuti - Expensive Shit: comer.
Led Zeppelin - Rock n' Roll: beber.








quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

IV NOITE FETRA & AMIGOS - 27/12/2014 - REPORTAGEM

Apesar do difícil posicionamento no calendário, a 4ª noite/dia da Cafetra Records não seria a oportunidade consensual de meter o espírito natalício na gaveta e avançar para o espírito baderneiro de um novo ano. Aliás, numa Lisboa cada vez mais centralizada no que a espaços de concertos diz respeito, percebe-se que, por estes dias, a localização da Caixa Económica Operária reúna apenas quem tem a genica de abandonar a força do hábito. Mas uma sala tão convidativa e bela merece estar ocupada e a Cafetra, com o mesmo "a" que o poder feminino toma como seu e reclamaria no balanço final, deu-lhe essa luminosidade em troca de derrubar as barreiras de uma normal tarde de Sábado.








Logo a abrir, Francisca Salema ou sallim fez da primeira meia-hora um dos momentos da tarde com a demonstração mais pública de afecto por todos os que se encontravam na sala que é...deixar os mesmos à deriva, aquela em que ouvir cantar sobre um desgosto amoroso soa tão bonito como não o ter. A mesma sequência de momentos em que não correr tudo perfeito é maior que a perfeição em si mesma.
Toda a cenografia por detrás de uma pequena e aparentemente frágil rapariga reproduz-se a partir e para além, como uma voz angelical e uma guitarra preciosamente decorada por alguns efeitos a sobressaírem por cima da pop confessional e intimista tão honesta que quase se agarra à vida. Temas gravados por aí não faltam - até um EP, "dois", que falha por pouco as listas de melhores de 2014 -, difícil é continuar a passar ao lado.

Aparte 100 Leio, Kimo Ameba, os Iguanas e o suporte a Éme (e "n" outras coisas, não falássemos do grupo de amigos antes sequer de haver Cafetra), Lourenço Crespo aparecia de seguida numa das primeiras vezes a tocar a solo. Para já, com apenas um orgão e a postura de um falso/desajeitado organista que não se importa com nada, o B Fachada que visitaria a festa lá mais perto do seu final é, se não uma muito óbvia referência, o artista de dois últimos trabalhos, sobretudo "Criôlo", que oferece a mais óbvia das comparações. Fora isso, já sabemos, e duvidamos em igual medida, que num futuro muito próximo nada disto vai ser verdade.






No anti-ramerrame, na montanha-russa de concertos a alta velocidade da tarde, a estrela óbvia Éme poderia ser o não tão óbvio senhor que se seguiria. A militância despertada com o concerto de Lourenço Crespo e o destaque imprimido às canções simples e brilhantes do mais recente "Último Siso" foram servidos como deve ser, com pouco mais do que uma guitarra acústica e coros a brotar quase de todos os cantos da sala. Para além de crooner da tarde e apresentador/manager de craveira, Francisco Correia, Smiley Face ao microfone, guardou cerca de 20 minutos para, dentro do imaginário teenager do novo/velho milénio e da filosofia cara traduzida para o mundano, o comic relief desgarrado da tarde com uma guitarra, um ukulele e um telemóvel feito caixa de ritmos.
Com o último espectáculo da tarde, abria-se um cenário musicalmente mais denso, pautado e univocalmente instrumental para a noite. Os Go Suck A Fuck com Van Ayres, fazendo do ruído electrónico ambiente de trabalho para detalhe de joalheiro, seriam os primeiros a abrir a porta para a electrónica da Cafetra antes da pausa de jantar.



Como previsto, e continuando a cumprir os horários previstos, era Sara Rafael que corria para demonstrar afincadamente como Jejuno o lado mais obscuro e dolente do trash noise que os Go Suck A Fuck e Van Ayres tinham deixado em aberto ao anoitecer. Drones depurados pelas regras do psicadelismo orquestrado nem-tanto-ao-céu-nem-tanto-à-terra, por batidas desprendidas como as melodias e por referências descoordenadas.
De descontrolo e viagem momentânea e abstracta também vinham o saxofonista Pedro Sousa, o violoncelista Miguel Mira e o baterista Afonso Simões falar logo de seguida cruzando com um crescendo de entusiasmo improvisação e jazzfree-jazz, de construção e desconstrução permanentes e altamente celebradas por todos os presentes que já não distinguiam transe electrónico de sincretismo orgânico.
Em trio inesperado e antes das irmãs Reis, as Putas Bêbedas trocavam as voltas para não "tocar o mesmo disco" antes dos Tropa Macaca. Um festival impressionante de punk-metal corrosivo mas descomprometido a atacar os tímpanos com o estranho sentimentalismo e shoegaze de "Jovem Excelso Happy", LP de estreia a que os elogios de Julian Cope não são, e com razão, estranhos, nem que seja pelo facto de mais uma vez até o que parece imperceptível merece palmas e um headbang furioso.








As Pega Monstro conseguiram crescer: só isto seria um feito digno de nota. A sequência inicial de novas canções, como "Amêndoa Amarga", revela que o mesmo pop-rock lo-fi orgulhosamente cru e suado que lhes conhecemos do disco de estreia homónimo, a que resgataram "Fetra" e "Afta", está apenas a saber lidar com o mesmo síndrome da idade, acumulando e reflorescendo a partir do limar de novas camadas de ritmos, anti-ritmos e filtros de impaciência malsofrida. É como se o segundo disco que está para chegar em breve fosse o melhor disco de sempre não editado - nesta noite foram apenas 30 minutos tão bons e tão cheios que não deram para lhes abafar a timidez com que ainda ensaiaram um encore. Antes dos DJs, os Tropa Macaca deram de barato projecções vídeo abstractas e uma performance musical de série e de mestria a acompanhá-las. Dão-nos narrativas improvisadas que podemos tentar encaixar como tudo o que já aprendemos do ambient noise ou dos Cabaret Voltaire.
Poderia ser assim, por esta ordem, que se descreveria este concerto não fosse o facto de o abstracto e o misterioso ficarem, não apenas poeticamente falando, acima das cabeças de quase todos e de ali à frente estar tudo colado à densidade de texturas de uma fusão entre techno-house industrial primata, agressivo, e guitarradas angulares e exploratórias sem linguagem de catalogação e com todo o propósito e oportunidade para a sua devida apreciação.






Muitos adjectivos já correram pelas linhas que se colam à Cafetra.
Parece ser a última oportunidade de gostarmos, de ouvirmos música da adolescência ou com espírito adolescente, de fazer crescer algo em que se acredita a partir do sangue.
Atacar o tradicionalismo e o "passar por cima" das estruturas convencionais é não pensar seriamente no bem comum que se reconfigura ciclicamente por cima de qualquer realidade, seja a das Olaias ou a da Comporta: por isso, "escolhe o teu veneno, algum vai ter de ser".



Texto de André Gomes de Abreu

Fotografias por Zé Vidal
(galeria completa em
facebook.com/bandcom)




segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

OS MELHORES DE 2014 PARA O BANDCOM - TOPS INDIVIDUAIS

Completando a divulgação do top de toda a equipa, alinhamos agora os tops devidamente ordenados de alguns dos que fizeram, todos os dias de 2014, algo do BandCom.
Por isso, é hora de também destacar outros dos grandes lançamentos do ano passado que, uns mais que outros, impressionaram cada um dos seguintes "eleitores".
Há muito para vos surpreender, dentro da surpresa previsível que representam 3 conjuntos de 35 discos meticulosamente seleccionados.






















ANDRÉ GOMES DE ABREU


DISCOS


1. Mão Morta - Pelo Meu Relógio São Horas De Matar (NorteSul/Valentim de Carvalho)
2. Sensible Soccers - 8 (PAD/Groovement)
3. Bruno Pernadas - How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge (Pataca Discos)

4. B Fachada - B Fachada (Ed. Autor)
5. Gala Drop - II (Golf Channel Recordings)
6. The Legendary Tiger Man - True (Metropolitana/Sony Music Portugal)
7. Miguel Torga - Hexágono Amoroso (Elements Records)
8. Keep Razors Sharp - Keep Razors Sharp (NOS Discos)
9. Batida - Dois (Soundway Records)
10. M.A.U. - Safari Entrepreneur (Ed. Autor)

11. Beware Jack + Bling Projekt - A Memória de Futuro (SóHipHop)



12. Antiq & Lunar Ghost - Moonhead (Microfome)



13. Capitão Fausto - Pesar O Sol (Sony Music Portugal)

14. You Can't Win, Charlie Brown - Diffraction/Refraction (Pataca Discos)
15. Capicua - Sereia Louca (NorteSul/Valentim de Carvalho)
16. Norberto Lobo - Fornalha (three:four records)
17. Mr. Herbert Quain - Forgetting Is A Liability (Zigur Artists)
18. Rodrigo Amado Wire Quartet - Rodrigo Amado Wire Quartet (Clean Feed)
19. Corona - Lo-Fi Hipster Sheat (Meifumado Fonogramas)



20. Clã - Corrente (Warner Music Portugal)



21. Éme - Último Siso (Cafetra Records)



22. Diabo Na Cruz - Diabo Na Cruz (Sony Music Portugal)



23. Os Príncipes - Reinaldo (Boom Chicka Boom)



24. Diamond Gloss - Nomawkish (Fluttery Records)



25. Mundo Segundo - Segundo O Ancião (Banzé)




EPs


1. Holly - October Stash (Rockit)
2. Gonçalo - Quim (Lovers & Lollypops)
3. Bison & Squareffekt - Odyssey Of The Mind (Generation Bass)
4. FUJAKO - Exobell (Ångstrom Records)




5. Cochaise - Já Te Digo Qualquer Coisa (Azáfama)



6. DJ Marfox - Lucky Punch (Lit City Trax)
7. CONAN OSIRIS - Silk (AVNL Records)



8. Cavaliers Of Fun - Camp COF (Ricoché)



9. Cave Story - Spider Tracks (Ed. Autor)



10. Holy Nothing - Boundaries (Turbina)















JOÃO GIL


DISCOS


1. Sensible Soccers - 8 (PAD/Groovement)
2. Catacombe - Quidam (Raging Planet)
3. Bruno Pernadas - How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge (Pataca Discos)
4. B Fachada - B Fachada (Ed. Autor)
5. White Haus - The White Haus Album (NorteSul/Valentim de Carvalho)
6. Batida - Dois (Soundway Records)
7. We All Die! What A Circus - Until The Cosmos Takes Me Back (Ed. Autor)
8. Black Bombaim & La La La Ressonance - Black Bombaim & La La La Ressonance (PAD/Lovers & Lollypops)
9. The Legendary Tiger Man - True (Metropolitana/Sony Music Portugal)
10. Norberto Lobo - Fornalha (three:four records)
11. Gala Drop - II (Golf Channel Recordings)
12. Dead Combo - A Bunch Of Meninos (Universal Music Portugal)
13. POLIDO - Plethora (Monster Jinx)



14. Throes & The Shine - Mambos de Outros Tipos (Lovers & Lollypops)



15. You Can't Win, Charlie Brown - Diffraction/Refraction (Pataca Discos)
16. PAUS - Clarão (Universal Music Portugal)
17. Mão Morta - Pelo Meu Relógio São Horas De Matar (NorteSul/Valentim de Carvalho)
18. Imploding Stars - A Mountain & A Tree (Cosmic Burger Records)
19. Nuno Prata - Nuno Prata (Ed. Autor)



20. Capitão Fausto - Pesar O Sol (Sony Music Portugal)
21. Guta Naki - Perto Como (Meifumado Fonogramas)



22. TRIBRUTO - Chavascal (Kimahera)



23. Lydia's Sleep - If You Travel Enough Through Time Somebody Will Eventually Get Old (Ed. Autor)



24. HHY & The Macumbas - Throat Permission Cut (SILO)



25. D'Alva - #batequebate (NOS Discos)



EPs



1. W.I.N.D. - Puzzle (Ed. Autor)
2. JIBÓIA - Badlav (Lovers & Lollypops)
3. Gonçalo - Quim (Lovers & Lollypops)
4. Solar Corona - Outerspace (Ed. Autor)
5. Bruma - Demo (Ed. Autor)



6. This Penguin Can Fly - Broken Hearts Are For Assholes, Outer Space is For Heroes (Ed. Autor)



7. Elektra Zagreb - Born-Folk (Ed. Autor)



8. Time For T. - Time For T. (NOS Discos)



9. Close Encounters of the Holocaust - The Doors To The Holocaust (Korvustronik)



10. Gobi Bear - Dare (MiMi Records)























MICKAËL C. DE OLIVEIRA


DISCOS


1. XINOBI - 1975 (Universal Music Portugal)

2. Batida - Dois (Soundway Records)
3. Black Bombaim - Far Out (Lovers & Lollypops/Cardinal Fuzz)
4. Gala Drop - II (Golf Channel Recordings)
5. M.A.U. - Safari Entrepreneur (Ed. Autor)
6. Sun Glitters - Scattered Into Light (Mush Records)
7. PAUS - Clarão (Universal Music Portugal)
8. Catacombe - Quidam (Raging Planet)
9. Dead Combo - A Bunch Of Meninos (Universal Music Portugal)
10. Perigo Público - Jeans Monroe (Kimahera)



11. Sensible Soccers - 8 (PAD/Groovement)
12. Capicua - Sereia Louca (NorteSul/Valentim de Carvalho)
13. SARH - SARH (Believe Recordings)



14. Rocky Marsiano - Meu Kamba (Adam and Liza)



15. Killimanjaro - Hook (Lovers & Lollypops)



16. Mr. Herbert Quain - Forgetting Is A Liability (Zigur Artists)
17. Imploding Stars - A Mountain & A Tree (Cosmic Burger Records)
18. Bruno Pernadas - How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge (Pataca Discos)
19. Grutera - O Passado Volta Sempre (Brandit Music) 



20. Macadame - Pão Quente E Bacalhau Cru (Ed. Autor)



21. White Haus - The White Haus Album (NorteSul/Valentim de Carvalho)
22. la flag - Spargelzeit (Ed. Autor)



23. Los Saguaros - Yuma (Hey, Pachuco! Records/Experimentáculo Records)



24. Guta Naki - Perto Como (Meifumado Fonogramas)
25. Infuse - Nova (Ed. Autor)




EPs


1. IVVVO - Theories Of Anxiety (Danse Noir Records)
2. Bison & Squareffekt - Odyssey Of The Mind (Generation Bass)
3. CHAINLESS - Grey Veils (Cohort Recordings)
4. JIBÓIA - Badlav (Lovers & Lollypops)
5. Holy Nothing - Boundaries (Turbina)
6. DJ Marfox - Lucky Punch (Lit City Trax)
7. Tia Maria Produções - Tá Tipo Já Não Vamos Morrer (Príncipe Discos)



8. Solar Corona - Outerspace (Ed. Autor)
9. AUROR  - Sunset Music (Ed. Autor)



10. Time For T. - Time For T. (NOS Discos)







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