terça-feira, 21 de Outubro de 2014

FESTA DO 45º ANIVERSÁRIO DO TEATRO MARIA MATOS - REPORTAGEM



“I'm not a minister, I'm not a philosopher, I'm not a politician, I'm in another category.” Sun Ra

No passado Sábado o Teatro Maria Matos presenteou-nos com uma dupla celebração: o seu quadragésimo quinto aniversário e o centenário do nascimento da icónica e complexa figura Sun Ra num espectáculo que envolveu uma série de ilustres da música portuguesa quer em cima do palco quer fora dele. Mas tal como referira o programador de música Pedro Santos, o objectivo principal era o de "celebrar o aniversário, mas subverter o foco de atenção. Não deve estar em nós, mas no que se passa em palco”. Como já havia sido feito há dois anos com John Cage, Sun Ra, nome artístico do norte-americano Herman Poole Blount, considerado figura proeminente, visionária e revolucionária do jazz pela sua originalidade e influências – afrobeat da Nigéria, improvisação, funk do Peru, electrónica, avant-garde, hard bop, religião e filosofia - mas também pintor, filósofo e poeta, através do convite endereçado a 4 artistas e aos frutos das suas vivências. Nuno Rebelo, o ex- “Street Kids” e “Mler Ife Dada”, Bruno Pernadas, extraordinário e tecnicista guitarrista que tem exactamente no jazz um dos seus mais sólidos pontos de interesse a solo ou em grupo, os Gala Drop e por fim Mo Junkie, juntos numa viagem que teve origem na Av. Roma, com passagem pelo Egipto (a cultura que mais influenciou Sun Ra) e ponto de paragem em Saturno.





A casa estava recheada quando pelas 16h30 a comitiva dirigida por Nuno Rebelo, da qual faziam parte jovens músicos do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga e o bracarense Gil Teixeira de La La La Ressonance, subiu ao palco para dar início às festividades.
O palco e a indumentária dos músicos permitiam-nos sentir claramente em frente à Sun Ra Arkestra e o concerto começou com uma série de documentos vídeo de Sun Ra e sonoros experimentais que criavam o mote para que numa linguagem musical crescente incorporássemos a viagem tortuosa pelo espírito misterioso e sideral de Sun Ra. Nota para a originalidade e irreverência da direcção artística e musical de Nuno Rebelo que teve até um momento em que o palco deixou de se limitar pelas paredes das instalações do Teatro e passou para um pequeno largo nas imediações do Edifício – porque afinal, as filosofias de Sun Ra, leiam-se pouco ortodoxas, pediam e mereciam sempre o menos convencional. Todo o momento revelou-se uma justa homenagem por aquele que tinha mais ligações ao músico, onde os sopros, os violinos a secção rítmica e o poderoso coro celestial conseguiram amplificar e eternizar temas como “We Travel The Spaceways” ou o clássico “Space is the Place”.






Por volta das 18h45 era a vez de Bruno Pernadas subir ao palco para nos abrilhantar com os seus arranjos, musicalidade e técnica naquela que é a sua praia – o jazz e a improvisação. Trazia consigo velhos companheiros de trabalho e outros colegas de projectos mais atuais, entre eles Pedro Pinto, João Rijo e João Mortágua. No palco, um tripleto de saxofones, trompete, vibrafone, duas baterias, piano e por fim Margarida Capelo e Afonso Cabral que vieram acrescentar uma nova dimensão à epicidade criada pelos instrumentos. A sua abordagem foi diferente: não se limitou a fazer réplicas da obra de Sun Ra, mas sim a construir edificações sonoras a partir dos alicerces de temas como “Lanquidity” ou “Rocket Number Nine” num percurso de verdadeiros momentos de improvisação para os saxofones e duelos guitarra-vibrafone sempre acompanhados de uma robusta secção rítmica e um piano poliglota. Era, por isso, no meio de grande cumplicidade musical e humana que Bruno Pernadas e companhia realizavam uma fusão de pensamentos e viagens cósmicas através de um espírito aberto a todas as possibilidades musicais.





Já próximo das 20h15, o som dos Gala Drop, através da sua forte componente electrónica, fez por materializar o arquétipo dos mitos e da suprema harmonia do universo de Sun Ra. Através do uso intensivo do sintetizador, da distorção da guitarra, do reverb ou do simples eco, os Gala conseguiram de facto narcotizar o público e trazer até ao Maria Matos todo o espírito rítmico de Sun Ra, apoiando-se no seu extenso portefólio angariado em experiências variadas de palco. Grandes fãs de Sun Ra, mas pouco ligados ao jazz, conseguiram estabelecer uma comunicação tal com uma outra dimensão onde mora Sun Ra que a certa altura parecia que o mesmo estava ali em cima do palco a dirigir-se a todos, de uma forma curta mas enérgica.





Nos intervalos entre os concertos e no fim do espectáculo chegava sempre a hora de ir beber um belo porto ao MM Café e ouvir aquilo que Mo Junkie, alter-ego de Edgar Matos ainda nos tinha para contar. Como prescrição de clínico para uma melhor digestão, Mo Junkie, munindo-se da sua electrónica esotérica, iam passando pelo seu gira-discos canções como “Angels and Demons at Play” ou “A Joyful Noise” conjugados com samples milimetricamente escolhidos numa operação caótica, mas ao mesmo tempo intuitiva, num novo plano temporal.
Foi uma tarde intensa para todos, ao nível do magnetismo do Mundo do "génio-Líder" da Arkestra. Sun Ra. 




Texto de João Ribeiro

Créditos das fotografias: José Frade




sábado, 18 de Outubro de 2014

DE E POR: OCTOBER HORSE - "Conduct" (2014, Ed. Autor)

"Conduct" é o primeiro trabalho dos October Horse, quarteto da Maia
pós-qualquer coisa/pós-tudo onde os instrumentais bem tecidos imperam e beber inspiração divina a vários géneros e figuras não é coisa dos livros, nem dos menos ortodoxos. 

Inspirados no Império Romano para o nome da banda e progredindo, extrapolando-o para histórias à moda antiga tendencialmente instrumentais, com mais ou menos moral, os quatro músicos contam mais sobre as seis faixas deste EP de estreia que, como já vem sido hábito, é mais um resultado de uma campanha de crowdfunding bem sucedida de quem, noutras alturas com menos espaços de ensaio, menos acidentes de percurso fortuitos e menos condições de mostrar o seu trabalho, ficaria preso na rede em vez de fazer tão somente parte dela.





Atlas 

Fala sobre o titã condenado a carregar o céu aos ombros e faz um paralelo entre o Homem que carrega aos ombros o flagelo das religiões que ele próprio cria. É o primeiro tema do álbum, que começa calmamente, como uma “cidade a acordar”. 


Cadger

O típico homem dos subúrbios que perdeu toda a fortuna (referência também à Deusa Fortuna, deusa romana da sorte) do dia para a noite e agora contempla as ruas vestindo outra pele, estando agora na outra margem da sociedade. Funciona como "single" da banda e é o tema para o qual foi realizado o "videoclip" de estreia.





Waving 

Inicialmente “Waving Man” (nome alterado para manter todas as faixas do álbum com apenas uma palavra), fala sobre uma história fictícia onde os homem pregam crenças de fim do mundo tendo legiões de seguidores, havendo no entanto quem as considere disparatadas e dogmáticas, limitando-se a acenar "adeus" enquanto supostamente o Mundo rui e o céu lhes desaba na cabeça. 


Clink

Inspirada na história de Charles Bronson, nome fictício do “condenado Britânico mais violento de sempre” que está preso há 34 anos tendo passado 30 anos em confinamento solitário, sem nunca ter morto ninguém, sendo apenas acusado de inadaptabilidade social. A letra é narrada sob a perspectiva do prisioneiro, tentando fazer ver a quem a lê, como seria estar do seu lado e na sua pele. É o tema mais “pesado” do álbum e tem participação de Cláudio da Silva, vocalista dos Engaging The Dead.



Zenith 

A faixa maior do álbum é também a menos pesada. Inspirada no tema inicial da “Sagração da Primavera” de Igor Stravinsky, uma peça que modificou completamente toda a música erudita do século XX. Tem duas partes e um ponto alto, um zénite, como indica o título. A primeira parte fala sobre o lutar pelo desejo de que as memórias boas vençam e perdurem e, após esse pico e concretização, vem a segunda parte, o vazio, o sentimento de que tudo acabou e a contemplação solitária da passagem do tempo.


Andromeda

Retrata a vaidade como o grande pecado da humanidade. Conta a história da Princesa Andrómeda, condenada a ser acorrentada às rochas em maré baixa e morrer afogada com a subida da maré pelo Deus dos Mares, insultado pela vaidade da princesa ao
proclamar-se mais bela que as filhas deste. Retrata também aspectos mais pessoais da banda e do percurso que fez até ao momento. Foi o primeira tema a ser composto, com o "riff" inicial a alternar sucessivamente entre compassos diferentes.





terça-feira, 14 de Outubro de 2014

M.A.U. - "Safari Entrepreneur" (2014, Ed. Autor)




10 anos depois do começo na Dinamarca e com uma nova formação, os M.A.U. chegam ao seu terceiro álbum com "Safari Entrepreneur" que se compõe com um total de 12 canções e várias colaborações que vão de encontro ao que tem suscitado que se tenha, curiosamente ou não, falado tanto do seu trabalho nos últimos meses: recriações e remisturas de canções que nos dão a descobrir novos pontos de vista de temas mais conhecidos e mesmo alguns novos nomes a ter debaixo de olho. Não deixa de ser estranho e, sobretudo, assustador para novos músicos e produtores que tantos tenham desistido aparentemente dos M.A.U. ou que tenham memória de peixe ao ponto de ser necessário que surja o próprio grupo como "editora" deste disco. Ainda para mais quando a maturidade, feita de coisas boas e coisas más, é tal que as exigências e os oráculos estão de tal forma descompassados que conseguimos ganhar todo o tempo para ouvir uma banda.





Apesar de o colectivo relacionar o conceito do álbum com o misocentrismo criativo e de convivência civilizacional em favor do androcentrismo - o que sente ao longo do disco quando cada tema ressuscita emocionalmente todo o trabalho ou uma minúscula parte dele - , "Safari Entrepreneur" é, musicalmente, o trabalho em que os M.A.U. reflectem de uma forma mais urgente uma vontade de integrar e percorrer todas as pequenas variações da pop electrónica. Onde o pequeno pitch daqueles coros, o silêncio humanóide após os beats mais cáusticos e o encadeamento dos sintetizadores mais chillwave ou mais dreamy, seja pelas beiras do classicismo dos A-Ha ou Human League, seja pelo toque de modernidade e de acolhimento de M83, Junior Boys ou Fischerspooner, se encontram e convergem na percepção de uma possível história. Uma preocupação, no final, mais direccionada para as canções e nem tanto para a reinterpretação de esquissos das fronteiras musicais, por maior trampolim que tenha sido imediatamente antes (e certamente não se esquece que o foi) entre a conjugação de pet peeves a gordas assumpções de África a vaguear pela tentadora "Dance Safari", pela retumbante "Children Playing Adults", pelo excelente candidato a single "Off To Berlin" e por "Safari Entrepreneur (part I e part II)".    






Se a estreia dos Sensible Soccers é o disco que me permite acreditar que vale a pena seguir uma banda ao ponto de poder encontrar-me com uma possível desilusão, o regresso dos M.A.U. é o disco que pode reconciliar qualquer um com o grau de seguidismo necessário, por um lado, e com a qualidade diversificada que nem todos os discos de um determinado género atingem, por outro. Em qualquer franja do Globo.
André Gomes de Abreu 





sábado, 11 de Outubro de 2014

AINDA TENS QUE OUVIR #11: AMAMOS DUVALL - "Amamos Duvall - I & II" (2012, FlorCaveira)




Ao que parece foi (quase) tudo feito em casa, com secções sampladas e muito "corte e costura". Será uma catarse descomprometida de Tiago Cavaco, o artista anteriormente conhecido por Tiago Guillul. Uma experimentação em que a expressão artística se sobrepõe à perfeição. A imprevisibilidade e aparente falta de critério é banalizada ao ponto de nos imergirmos nela. É quase pecaminosa, e agarrou-me a este registo, devo dizê-lo. 

A Motown junta-se a Beastie Boys e começa "Amamos (Robert) Duvall": "Atanásio Contra O Mundo" intriga-nos e põe-nos alerta, com uma bateria que vive num mundo à parte e uma voz que nos confunde e mantém em tensão. Entra então em cena a homónima "Amamos Duvall" para nos acalmar e serenar, num beat seguro e poderoso e uma voz que nos dá o outro lado deste disco, o lado alegre e gozão, menos experimental e mais pop"Sirenata", "Os Rapazes Do Pouco Fazem Fogo" e "Homens De Água (Igrejas Cheias Ao Domingo Parte II)" seguem-lhe o rasto, num registo igualmente pop mas mais corrido, a fazer lembrar Os Pontos Negros. São as três músicas mais conservadoras deste disco 1.





"Rãs Nos Aposentos De Reis" começa a abrir horizontes, fazendo a cama para o resto do álbum com uma balada sentida e contida, "Casa Com Vista Para As Trincheiras" é um grito de revolta no meio do sarcasmo. Um loop de metáforas e ironias apocalípticas, seguindo o conceito de "Atanásio..." mas transformando o groove funk num industrial a la Nine Inch Nails, transmitindo a mesma tensão do início ao fim da música. "O Que É Que Se Passa Contigo?" dá-nos outra vez alegria: se ela é “disciplina em forma de motim”, é discutível. Se esta música é um alegre motim seguido por uma guitarra repetitiva e eficaz... na verdade, não é ela o que mais interessa: nesta altura já não sabemos o que fazer, não pensamos em guitarras, pensamos no que virá a seguir. 
E temos razão porque o que vem a seguir é da exclusiva responsabilidade de um infantil sintetizador e uma música apropriada dos 3 aos 99. É nada mais que uma canção. Daquelas que o Zeca fazia tão bem, daquelas em que dá para sentir África. "Miudagem, Como É Que É?", o exemplo do gozo total, do divertimento que Tiago Cavaco retirou deste trabalho e do liricismo descomprometido e cortante que vai pairando aqui e ali (PS: sempre quis ver os adeptos de Itália no Mundial de 2006 numa música).
"Rocha No Coração" é uma mistura de Rancid com música tradicional portuguesa, acabando com um desabafo reggae...creio que a descrição diz tudo.

"Contigo Sou Sempre Agradecido" é um deleite melódico com um loop feio e irritante de fundo.


A primeira parte de "Amamos Duvall" salda-se, assim, como um CD muito fácil de ouvir, difícil de perceber, muito influenciado mas único. Muito pessoal mas aberto ao ouvinte, eloquente, em que o que é para ser ouvido é dito. Importado mas renovado e facilmente exportável com assinatura própria.





Chegamos a este ponto, isto se seguirmos a obra ordeiramente, agradavelmente embalados no desenrolar das músicas,e das diferentes abordagens deste gigante corte e costura com sabor a novo. 
Com "Estás Casado Com O Estado" e "100 Toneladas" somos mais uma vez presenteados com um rock eficaz, de letras irónicas e cortantes e, qual sapo cozido em água morna, nem sentimos a entrada nesta segunda parte. 
"Faz Filhos" não tem muito que se lhe diga: uma ode à natalidade embutida num groove bem construído, de quem sabe o que faz e que hipnotiza do início ao fim. "A Casa Vem Abaixo" e "Xungaria no Céu" soam bem e estão muito bem produzidas, eléctricas e quadradas, mas cheiram a redundância. Contrariando esse aspecto entram em cena e em contraste a "Orquestra De Ladrões" - um fantasma com identidade bem definida, que paira e deixa a sua marca neste registo – e "Alguém Perdeu O Ferrão", hip-hop assente na excelente interpretação de Tiago Cavaco sonoplastificada com pormenores de ouro. 
A seguinte "Também Queres Cantar" é pequena e muito boa canção, sai da fórmula habitual e é um deleite de licks de guitarra e sons reverberantes que acompanham uma melodia muito bem construída. 
Já quase a terminar, "Qual É O Segredo Por Que As Meninas Gritam De Medo?" e "Esquadrão Túlipa" são provavelmente os temas mais inócuos deste trabalho. Não deixando de ser divertidos de ouvir, chegam a ser cansativos.





"Amamos Duvall" acaba feliz. "Canção Para A Sílvia E Para A Fátima" é feliz e "
A Medida Da Felicidade" é uma boa música e pode ser o resumo deste disco. A mestria pop aliada à celebração da resignação perante um qualquer poder superior. Confesso ser imune à mensagem, ou mesmo à sua interpretação. Gosto, isso sim, da construção musical por trás dela. Das melhores deste segundo CD.

Um trabalho com muito bons apontamentos, sujeito às limitações assentes nas fundações em que foi construído, e que peca por alguma excessiva repetição de conceitos. No entanto sentem-se, entre várias nuances, dois registos principais. Um, descomprometido e jocoso, em que o divertimento vincado na criação passa para o ouvinte, e em que a enorme mestria da composição vem de quem sabe cativar e bem tratar o ouvido. Outro, um registo mais intimista e complexo e, a meu ver, aquele que dá a verdadeira cor a Amamos Duvall.


A apropriação da xungaria é coisa séria, e não é para todos, dizem. 8,5/10


Hugo Hugon




quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

DE E POR: THE RISING SUN EXPERIENCE - "Beyond The Oblivious Abyss" (2014, World In Sound)

A contemporaneidade não é o seu mantra - antes são o resultado de décadas de consolidação do rock e há algum tempo passaram por cá em entrevista; entretanto, Tiago Jónatas e os The Rising Sun Experience lançaram digitalmente no ano passado um nova orgia espacio-ambiental altamente hard-rockiana e psicadélica de título "Beyond The Oblivious Abyss" que tem tido eco por todo o Mundo.
A não menos importante chegada, pela alemã World In Sound, do disco aos formatos físicos, CD e vinil, e a (curta) passagem pelo palco de estreia do Reverence Valada servem de propósito para um peditório de conhecimento e sabedoria sobre este disco de um dos rostos importantes do psicadelismo em Portugal antes da aparente "moda" internacional.





Countries Off...

A letra é inspirada numa palestra que o vocalista Nelson Dias assistiu do Miguel Portas sobre Crise Mundial.
É um tema com bastante percussão e é unânime a todos que ficou uma boa mistura de funk-rock com prog-rock :)
A secção mais ambiental/experimental perto do final do tema foi conseguida apenas com os harmónicos produzidos ao dedilhar por detrás do braço da guitarra em simultâneo com a manipulação do RE-201 Space Echo, um delay de fita analógico dos anos 70 agora máquina de culto.
Esta ideia surgiu ao Tiago Jónatas quando produzia e criava o ambiente sonoro para o vídeo "Aporos" da artista Miriam Sampaio.


The Integrity

Tema hard-rock mais "zeppelinesco".
A inspiração da letra surgiu das muitas conversas telefónicas que o Nelson teve com o Tiago sobre a forma como hoje em dia se comercializa e se expõem os trabalhos artísticos perante a sociedade. Bem como o facto de muita gente envolvida nestes processos (criativos e não só) não ter noção que nem sempre o caminho da indústria fácil é o mais íntegro e respeitável.
Foi o primeiro tema a ser retirado para divulgação deste novo disco e o primeiro a ter "videoclip" produzido pela Storylines.





Infinite Space Of A Man Without Character

Este tema aponta o dedo a um ser humano completamente vazio de valores e ideais e que vive das aparências.
Esta música nasce como reacção à duração dos outros temas da banda. Todos os temas estavam a sair extensos com 7, 8 minutos e o Tiago propôs-se a fazer um tema curto de 1'; saiu este com 1'30",  um "rock" enérgico até um pouco para o "punk" com uma parte central de inspiração progressivo-psicadélica. Dois géneros que nos anos 70 chegaram a ser antagónicos, porque o "punk" em 77, como sabemos, veio "matar" o "rock" progressivo, como género "popular".





Sailing On The Corner Of Dante's Eye

Último tema a ser composto para o álbum
Inspirado no "rock" progressivo e sinfónico dos anos 70.

É a nossa primeira música em que usamos sons de mellotron.
A letra é baseada numa reportagem que o Nelson leu numa revista sobre o tráfico de seres humanos para diversos fins, na maioria das vezes sem retorno.


Wasted Dreams Of Red Flowers

É uma "suite" composta por 5 secções musicais.
É um tema que fala de um rapaz que vive a vida num labirinto, com altos e baixos, aparentemente como toda a gente, mas um rapaz insatisfeito que quando vai abaixo vai muito fundo e quase sempre parece de lá não sair…depois volta à luz…depois retorna à escuridão e não sai desses dois estados.
Tem sonhos... difícil é vivê-los.
Neste tema usámos sintetizadores analógicos como o Moog e o Prophet, inspirado nos sons das antigas bandas de "rock" progressivo.




quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

VIRCATOR - "Vircator" (2014, Ed. Autor)




Muitas vezes somos confrontados com o aparecimento de bandas que prometem imprimir a sua marca e não deixar ninguém indiferente mas revelam-se, por este ou aquele motivo, autênticas desilusões. Isto não significa que a vontade não estivesse lá mas, pura e simplesmente, as coisas não correram como previsto, acabando a banda por cair no esquecimento. Depois existem coletivos como os Vircator. Oriundos de Viana do Castelo e formados em 2012, são compostos por Pedro Cunha (guitarra/voz), Paulo Norinha (bateria), Pedro Carvalho (guitarra) e Marcelo Peixoto (baixo) e prometem agitar o panorama musical underground português e, quiçá, com um bom suporte conseguirão trilhar os caminhos do sucesso fora de portas. 




A estreia da banda consumou-se com a edição do EP homónimo que resulta de algumas sessões gravadas pelo grupo nos Estúdios Sá da Bandeira, no Porto. Praticantes de um post-rock refinado, este é um registo bastante competente e que não deve nada em termos de qualidade ou destreza técnica a qualquer outro álbum do género. “Dysnomia”, no princípio, é uma faixa muito bem produzida, com bonitas melodias de guitarra e uma secção rítmica bem entrosada e consistente, terminando de uma forma distinta conferindo à faixa uma dose de variedade sempre bem-vinda. Soturna e melancólica, “Mindless Order” é a música que se segue. Num ritmo sempre lento, as melodias sobressaem ainda mais com um baixo bem vincado e uma bateria sempre presente. A meio da música surge a voz, embora com parcas palavras e de forma limpa, enquadrando-se na perfeição no ambiente criado pelos restantes instrumentos.
Passando para “Moneghetti”, um tema instrumental mais direto mas nem por isso menos melódico com algumas incursões um pouco diferentes que apimentam a coisa, chegámos então ao final do disco com “Izbat River”, o single de avanço de "Vircator" que impacta por um crescendo entre teclas, bateria e guitarra e, no seu todo, revela-se um como um verdadeiro diálogo entre as teclas e a guitarra naquele que é o tema mais psicadélico e progressivo do disco. 






Vircator é sem sombras de dúvida uma excelente estreia de uma banda que demonstra facilidade em criar boa música. É certo que este é apenas o EP de estreia mas não é difícil perceber que o potencial aqui demonstrado é um bom prenúncio para os próximos capítulos.

Hugo Gonçalves




terça-feira, 7 de Outubro de 2014

BLAC KOYOTE - "Quiet Ensemble" "(2014, PAD)




"Quiet Ensemble" é o nome do segundo registo de José Alberto Gomes enquanto Blac Koyote na editora PAD. Um álbum que tanto explora o silêncio como o detalhe sonoro, apelando a uma multitude de horizontes longίnquos e vagos, ora negros, ora perdidos por detrás de um véu de uma nuvem com (im)perfeições azuis.




Por entre a música mais fúnebre de temas como "Hello World" e "Rancor", originalmente criado por RA (Ricardo Remédio), intercalam-se três temas mais planantes, mais minuciosos, onde o detalhe se torna música: "L’Arbre Des Songes" e "Put Me In Loop Please"/"Antes Era Assim". O encerramento é feito depois com a trilogia "Ínsua Triptych" (Theme, Home, Leaving), onde o diálogo com RA permanece, retomando-lhe sonoridades, impingindo-lhes um ar mais introspetivo e mais leve na negrura. No fundo, é talvez nesses três temas que a escolha entre o negro e o planante é a menos evidente - esses dois elementos mesclando-se como nunca o tinham sido até agora. 





Ouvir "Quiet Ensemble" é um exercίcio de estilo que nem todos poderão entender: o experimentalismo, o misto de influências musicais do autor e a pesquisa de sonoridades alternativas não sendo sempre muito apelativas quando se escuta em casa. Posta essa suposta falta de empenho do auditor de lado, que pode achar estranha a importância do silêncio e das sonoridades quase inaudίveis no processo de criação musical, há aqui todos os elementos para viajar não só metaforicamente como também musicalmente: um disco que nos permite conhecer/descobrir tonalidades e percursos sonoros a priori distantes que aqui vão aparecendo e desaparecendo ao longo do registo. Ao vivo, imagina-se que é daqueles álbuns que ganha outra dimensão, com acompanhamento visual.

Escura, distorcida, silenciosa, aérea, apaziguadora, angustiante: José Alberto Gomes consegue criar no auditor uma confusão de sentimentos, através da sua música, que o deixam sem qualquer palavra. Há peças que se ouvem e que são difίceis de descrever. "Quiet Ensemble" é uma dessas, entre o negro, o tempo suspenso, e o silêncio, juntos.

Mickaël C. de Oliveira




quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

MIKE BEK - Entrevista

É sempre perigoso, e mentiroso, afirmarmos que nada temos a aprender com o exterior. Mas se há coisa que devemos evitar é que o exterior nos ensine algo que nos possa passar debaixo do nariz: ou fomos suficientemente maltratados antes para não prestarmos atenção, ou somos simplesmente seguidores e não estamos onde devíamos estar.
O jovem João Máximo aka Mike Bek é um destes casos, em nome próprio ou nos não menos talentosos affairs laterais como os Naked Affair. Depois de um primeiro EP, "Sleepless Nights", "Legacy" é o novo trabalho que conta com a colaboração de outros dois talentos, o de Tio Rex e o de emmy Curl, e aproxima de forma muito eficaz tudo o que a electrónica, a folk e o blues terão em comum.
À nova etapa em nome pessoal junta-se já neste mês inteiro a jornada de celebração de 3 anos da editora de sangue, a Extended Records.
A propósito, lembram-se de agir e não reagir, de atentar e não perguntar? Serve para todos, para quem selecciona e edita e para quem assina pela criatividade. 






BandCom (BC): Foi pela vertente mais electrónica que começaste a criar música? Quando é que percebes que consegues criar algo que te realiza e que passa a ser importante para ti?

Mike Bek (MB): Antes de começar a compor já era DJ de música electrónica, por isso quando surgiu a vontade de começar a compor as minhas próprias músicas a electrónica foi o caminho óbvio. Eu diria que compor é sempre um entusiasmo pois há sempre elementos e técnicas novas a explorar. É a vontade deixar a tua marca, de fazeres as coisas à tua maneira e de participares no mundo da música.


BC: Na actualidade e na tua opinião, é mais interessante/estimulante/relevante, como ouvinte, dar um novo groove electrónico a um blues ou a um rock mais estilizado ou continuar a debater ou explorar as fronteiras de um género musical específico?

MB: Eu diria que nos dias de hoje em que há uma fácil globalização da música, explorar novas fronteiras de géneros específicos pode ser difícil e por vezes pouco interessante. Acho que é mais interessante pegar em géneros de música intemporais e modernizá-los, dar-lhes timbres novos, aplicar técnicas de outros géneros e obter um resultado diferente. 


BC: Do “Sleepless Nights” ao “Legacy”, as diferenças são substanciais. Muito mais à procura do orgânico e um foco menor no bass n’ beats. É pelo caminho de fusão, de encontros entre géneros menos próximos, que pretendes seguir e criar a tua própria identidade?

MB: Diria que sim. É bom ver que as pessoas notam as diferenças. E sem dúvida que o caminho que pretendo seguir é esse mesmo. Mas nunca se sabe.


BC: No “Legacy” contas com as colaborações do Tio Rex e da emmy Curl que também já têm experiência em integrar-se na música de outros autores que pode ser radicalmente diferente do que fazem. Mas também te vemos regularmente com a influência e ajuda de outros amigos, também eles músicos. Em que pensaste e com que critérios/intenções seleccionaste quem convidaste especialmente para este novo trabalho?

MB: Primeiro comecei por trabalhar com o produtor Bruno Mota com quem já tinha trabalhado para o "Sleepless Nights EP" e juntos idealizámos o "Legacy".
Para a "Carve Your Mark" pensámos no Tio Rex porque para além de o ter conhecido na altura do lançamento do "Sleepless Nights" achámos que seu registo de voz seria ideal para dar uma voz com influência blues e folk. Foi óptimo trabalhar com ele, para além de uma grande empatia, senti que ele deu voz exactamente à mensagem que queria transmitir.
Com a emmy Curl não foi diferente. Eu já conhecia o trabalho dela e sempre pensei numa colaboração. Tal foi possível com a "Night Trains" e o resultado foi ainda melhor do que esperava.






BC: Novo Talento FNAC 2014 e já com convites para alguns conceitos diferentes como o Jameson Beatzmarket ou capítulo II do Red Bull Silent Garden há um ano atrás. Tudo isto é a prova de que a música do Mike Bek está a penetrar nos públicos-alvo pretendidos, a chegar a quem tem que chegar?

MB: Sim, estou agora a começar a chegar ao meu público-alvo mas acho que ainda falta bastante.


BC: Como produtor e já com experiência a remisturar outros temas e outros artistas, que prazer retiras desta parte do teu trabalho? Em que temas gostas de pegar? Ajuda-te também a desenvolver a tua criação?

MB: Normalmente gosto de pegar em músicas das quais já gosto mas imagino uma abordagem diferente ou pequenos caminhos diferentes. De vez em quando gosto de remisturar músicas porque obriga-me a trabalhar mais com áudios, com edição e a dar outro propósito à música original. 


BC: Foste um dos que chegou à fase final de um concurso de DJs promovido pelo Musicbox. Quando boa parte da música que se ouve tem a assinatura de novos produtores, que características têm que ter os melhores para que a sua música sobressaia e seja mais fácil distinguir o trigo do joio, o que tem alma do que tem apenas técnica de botões e cabos? 

MB: Eu diria que não é algo muito fácil de explicar porque tudo tem a ver com o propósito da música e da sua vibe. Já ouvi músicas muito baseadas em loops e serem bastante interessantes como já ouvi temas pop idealizados até ao pormenor que acabaram por não ter interesse. Mas diria que a maior taxa de sucesso está nos produtores que sabem o que querem alcançar.


BC: Notas alguma maior ou menor receptividade quando estás atrás da mesa de mistura exclusivamente como DJ do que quando estás à frente do palco em formato live?

MB: Ao contrário do que estava à espera sinto uma muito maior receptividade quando toco em formato live. Estava à espera do contrário porque ao vivo toco o que produzo, independentemente do público, ou seja é algo que faço para meu próprio usufruto.


BC: Ao contrário de alguns produtores, optaste por editar e associar-te a uma editora, a Extended Records, que se estreou também contigo nos lançamentos com o “Sleepless Nights”. Qual é a sensação de lançar o disco #1 de uma editora? A teu ver, qual o papel actual e futuro da Extended Records na cena nacional e internacional?

MB: A Extended convidou-me a pertencer ao seu leque de artistas antes sequer de ser uma editora. Eu mostrei o meu EP, ainda em construção e desde logo houve interesse em lançar. Eu diria que desde o primeiro lançamento há uma vontade por parte da Extended em lançar música não só a nível nacional mas também internacional, prova disso é a maior parte dos lançamentos estarem em praticamente em todas as lojas online.





BC: Quais os próximos passos do legado do Mike Bek? Aonde acreditas que podes chegar?

MB: Por muito cliché que pareça ainda há muito para fazer e muito para alcançar.
É esperar para ver.



André Gomes de Abreu




quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

DE E POR: BRASS WIRES ORCHESTRA - "Cornerstone" (2014, Sony Music Portugal/Everything Is New)

O, até agora, adiado "Cornerstone" é apenas o primeiro disco mas parece que os Brass Wires Orchestra já calcorrearam muito mais horas de estúdio, uma vez feito o balanço dos vários cartazes de festivais e programações de salas de espectáculos de que já fizeram parte e até as oportunidades que tiveram de ser um dos grandes ecos da campanha promocional do último NOS Alive e de tocar em Londres na sequência de uma participação num concurso de bandas, o Hard Rock Rising, onde a bagagem do hype que levavam já era grande e justificada. Uma riqueza musical e sentimental que se traduz em algo muito pouco habitual para uma banda tão jovem.
A julgar, entre outras, pelas versões já coleccionadas e conhecidas dos grandes azimutes da sua sonoridade - Beirut e Mumford & Sons - o grupo não renegará eventuais rótulos que se lhe queiram colar e até estará bastante confortável com isso, caso honra não lhes seja feita pelos pormenores que se escondem de forma intencional. Não é hora de comparações, mas sim um manifesto de alerta para o trabalho feito por cá e com um potencial de alcance no exterior muito superior.
Tudo pela música. Fomos confirmar com a banda o que sublinha cada uma das 10 faixas deste trabalho de estreia. 









Wash My Soul

Uma música construída numa semana, com o propósito de ser apresentada na final do Hard Rock Rising 2012. Fala sobre uma relação de desencontros constantes a todos os níveis.


Tears Of Liberty

O alívio agridoce de sair de uma relação que já não tinha pernas para andar.





The Lost King

Sobre uma pessoa próxima que se estava a perder nos meandros da má vida.


People & Humans

Fala da diferença entre pessoas que vivem sem questionar os preconceitos sócio-culturais da sociedade e pessoas que têm pensamento próprio, que não têm receio de desbravar o caminho necessário de forma a atingir a verdadeira felicidade.


Anchor

Sobre a falta de amor próprio.


Love Someone

Amor.


Finders Keepers

Amor.


Time

Paixão.


Prophet Child

Sobre as consequências de vivermos num mundo consumista, capitalista e que se encaminha para a sua autodestruição graças ao abuso dos seus recursos.


The Life I Chose

Sobre a decisão de escolher a vida que sonhámos para nós ao invés da vida que nos foi imposta.




domingo, 28 de Setembro de 2014

MEDO - "Cruzando Os Portais do Submundo" (2014, Nyarlathotep Records)




Os Medo estão de volta com “Cruzando Os Portais Do Submundo”, aquele que é o terceiro longa-duração da banda das Caldas da Rainha. Para quem não os conhece, a banda é composta por Medo I (responsável pela execução de todos os instrumentos) e Medo II (vozes e letras) e praticam um black metal que tem nas artes negras do ocultismo a sua maior fonte de inspiração. 






Observando a capa do álbum temos de imediato a sensação que estamos prestes a embarcar numa viagem sonora a um qualquer lugar tenebroso onde imperam as trevas e... o medo! De aspecto simples e cru, a capa faz jus à música que anuncia. Para os conhecedores do percurso da banda até à data não estariam à espera de outra coisa. Estamos, portanto, perante um álbum extremamente cru e sombrio, assentando que nem uma luva no que normalmente se associa a um dos estilos mais extremos de metal. Guitarras austeras a debitar riffs à velocidade de uma metralhadora, vocalizações maléficas e uma bateria a condizer compõem o cerne deste conjunto de 11 faixas que totalizam cerca de 50 minutos de pura negrura. A produção, que se apresenta sem um pingo de polidez, contribui ainda mais para o desejado resultado final. Contudo, existem, aqui e ali, elementos que conferem ao disco a sua própria personalidade e carisma. Falo, por exemplo, da utilização de motivos folclóricos típicos da Península Ibérica, como o uso de gaitas e flautas (“Canto das Almas” e “Invocando Cernunnos ao Anoitecer”), das melodias que surgem esporadicamente entre a toda a escuridão reinante ao longo de todo o disco ou até mesmo da alternância das letras em português, inglês ou latim. Mas o destaque vai mesmo para a prestação vocal de Medo II. Ora a vociferar, ora a cantar ou até mesmo em pleno modo spoken word, Medo II contribui de forma decisiva para a criação de atmosferas diversas que apimentam sobremaneira o álbum. 





Embora este não seja um trabalho que prima pela originalidade ou irreverência, também não se pode afirmar que é “apenas” mais um disco de black metal. “Cruzando Os Portais Do Submundo” é um álbum recheado de momentos interessantes e verdadeiras canções, que de certo cairá no goto dos entusiastas do estilo e não só.


Hugo Gonçalves




sábado, 27 de Setembro de 2014

DE E POR: TREEHOUSES - "Treehouses" (2014, Ed. Autor)

"Rest", a primeira faixa conhecida logo nos primeiros meses do ano, foi apenas uma chamada de atenção.
É certo que até ao EP de estreia que chegou no final do Verão os Treehouses ganharam mais um "s" no nome mas ganharam também uma maior noção do quão bem se pode estar na fronteira entre o extremo do indie-rock mais feérico que possa alguma vez ter vindo de Oregon e o quase emo-hardcore menos matemático. E de que há um poço de honestidade ainda a ferver.
E saíram-se de forma tremenda: certamente não estamos no domínio da perfeição, mas sim no domínio da evolução e da sobrevivência, como outras bandas que não ganharam o tempo suficiente para aproveitar o seu próprio tempo em que vivem.
Para além de sabermos que a capa do EP é uma foto tirada por um dos elementos da banda no campo de concentração de Auschwitz, o que terão mais os Treehouses a dizer sobre o seu trabalho? Foi isso que quisemos saber.






Swells

Composta quando tínhamos o Matheus e o Beirão na Polónia, é a música mais agressiva do EP e relata os últimos dias de uma pessoa com uma doença terminal e como se sente em relação àqueles que lhe querem bem, não querendo ser um fardo e entregando-se à depressão. Foi completamente modificada no própria dia da sua gravação (somos uns indecisos de primeira).


Dinossauro

O nome da música vem simplesmente do facto de se assemelhar com Dinosaur Jr.
Demorámos um bocado a tentar metê-la "tight" e fluente, mas após encaixarmos a letra, lá se formou a música, dando um toque de pandeireta aqui e ali. É sobre tudo o que sentimos quando estamos fechados e aborrecidos em casa; estamos mais sensíveis a questionar a nossa validade, mais emocionais, etc.
Foi também a primeira música em que experimentámos fazer harmonias vocais.


CCCC

Foi das primeiras músicas que fizemos, escrita e gravada na mesma altura que a "Rest" (que também se encontra no nosso Bandcamp) e também aquela que nos fez perceber que as nossas ideias funcionavam bem em conjunto e que o Matheus tinha (mas já deixou de ter) voz de rouxinol. A composição da música está igual desde que a criámos o ano passado, apenas adicionámos mais efeitos no momento da gravação.


Let You Go

É a música mais lenta e melancólica do EP. É uma música final, de despedida, combinando bem com a estética da foto e influenciando a forma como as pessoas viram a nossa música. Começou por ser uma outra música com riffs completamente diferentes mais na onda de Pelican e com partes ambientais mas reza a lenda que a letra e a melodia apareceram num sonho do João.




quarta-feira, 24 de Setembro de 2014

TODOS NÓS TEMOS ANTÓNIO VARIAÇÕES NA VOZ: 30 ANOS DEPOIS



Fins da década de 70 / Inícios da década de 80Do horizonte vazio de Barcelos, alguém se ia insurgindo em terras de capital: António Joaquim Rodrigues Ribeiro. Consta ser cabeleireiro, profissão que nunca foi paixão sua, mas que a necessidade da sobrevivência o obrigou a abraçar. Trabalha no primeiro cabeleireiro unissexo a funcionar em Portugal e a boa fama do cabeleireiro Ayer acaba por fazer com que algumas das individualidades portuguesas mais consagradas da época acabassem por frequentá-lo.

Os clientes e os dois dedos de conversa encarregavam-se da sucessão dos dias, até que aparecia no salão Ayer um cliente diferente. Era Júlio Isidro, que na altura apresentava um programava televisivo na RTP responsável pela divulgação da música que se ia fazendo em terras lusas. António Ribeiro atende-o e os habituais dedos de conversa fazem-no segredar ao ouvido de Isidro: «Sabe, eu também canto. E não canto só enquanto tomo banho ou assim, tenho algumas maquetes. Será que pode ouvi-las?».

António Ribeiro era uma espécie de jogador de futebol de rua, mas que não jogava futebol e, ao invés, ia fazendo algumas demos em casa. De cariz peculiar, as demos eram a representação de um sonho que todos nós, por vezes, já tivemos. António gravava as suas próprias canções sem o acompanhamento de ninguém nem de uma tradicional guitarra, fazendo das suas cordas vocais as cordas de uma guitarra, da sua caixa de ritmos a sua própria bateria. As letras, inteiramente escritas por si, transbordavam autênticas pérolas em que todos se reviam naquela altura – já em tenra fase se iam esculpindo slogans sociais. As maquetes que ia gravando não tinham um propósito bem cimentado, não obstante eram os elementos mais representativos do sonho que o comandava, do desejo que tinha de um dia poder vir a ser músico e a gravar um disco. Júlio Isidro aparecera e repentinamente abrira-se uma janela que fazia com o que sol iluminasse intensamente as paredes físicas do Ayer e com que a força do vento quebrasse as fronteiras de um sonho que passava agora a ter uma pitada de realidade, mesmo que apenas existente na cabeça do ainda não Variações.

«Claro que posso ouvi-las. Quando as posso ter?» retorquiu Isidro. Estava confirmado: o sonho acabava de receber o combustível suficiente para poder andar para a frente. E assim foi. Daquele momento até ao convite para ir cantar uma das suas canções ao vivo pouco passou. O mesmo se aplica para a chegada do passo final para a concretização efectiva de um sonho: a gravação de um disco, que teria edição da mítica Valentim de Carvalho. Conta-se que o processo de gravação do disco foi uma das coisas mais estranhas da vida dos músicos que iriam acompanhar Variações. O seu nome artístico, aliás, tem uma finalidade; nas várias entrevistas que concedeu e em que o abordavam acerca da origem do nome Variações, António sempre se defendeu com o mesmo argumento: «uma variação é uma coisa que é naturalmente ecléctica, é aquilo que pretendo ser».

Efectivamente, António (a)variava-se como ninguém procurando desenfreadamente uma modernização a partir da actividade rupestre da herança e tradição camponesa e folclórica. De Nova York até à profundidade das vivências de um Portugal em plena (re)construção pós-ditadura distavam mentalidades, culturas e visões. Nova York nem chega a ser a cidade que nunca dorme, chega a ser um elo metafórico que constrói um qualquer tipo de divergência entre o exterior e o interior, entre a típica cidade e a ruralidade do costume. Mas a verdade é que foi sempre assim que António Variações definiu aquilo que queria; queria construir uma ponte bem segura e fixa nas suas raízes e que garantisse que por lá corresse sem inércia a modernidade.

António chegou ao estúdio da Valentim de Carvalho com uma atitude resignada; iria finalmente alcançar o seu derradeiro sonho, o sonho de lançar um disco. Chegou aos estúdios com um espírito submisso, mas perfeitamente consciente das ideias que tinha e que queria para a roupagem das suas músicas. Era, como já foi referido, um músico selvagem; não tinha qualquer tipo de formação musical, não sabia tocar nenhum instrumento e não sabia sequer ler pautas. É evidente que a priori isto é mais do que meio caminho andado para o vazio. No entanto, mesmo tendo em conta essas adversidades, manteve-se fiel às suas ideias. As instrumentais das canções do seu primeiro disco, Anjo da Guarda (1983), foram feitas tendo por base aquilo que da sua boca saía. A atitude submissa com que encarou a gravação do seu primeiro LP rapidamente se alterou, vincando-se a vertente teimosa de Variações – que, claramente, não estava ali para fazer o que os outros queriam, não estava ali para ser despachado, mas sim para que com o tempo a banda de apoio que o acompanhava aprendesse a decifrar os zumbidos que se iam libertando a partir das suas cordas vocais. A partir daí iniciava-se o processo de tradução que era feito pelas guitarras, pelas baterias e por uma produção que nunca escondeu que gosta de se abarcar à tradição popular.

António Variações jamais poderia ser considerado o melhor músico que tinha entrado pela Valentim de Carvalho. O facto de ser praticamente um analfabeto no que toca à produção da própria música, fazia com que os responsáveis pela mítica editora não acreditassem, naquela altura, num possível sucesso – e também foi por aí que quando Variações entrou nos estúdios para a gravação de Anjo da Guarda se sentia resignado. A vida não é uma esfera e nem tudo gira à volta do mesmo centro. E o centro da vida de Variações era o nome mais marcante do Portugal de então: Amália Rodrigues era descrita por António como um ser que não pertencia a este mundo. Facto é que quem se assume, mesmo que não por si próprio, como a voz do povo, não pode ser deste mundo.

«A primeira música do disco será uma adaptação de um fado da Amália», mais coisa menos coisa, deverá ter sido isto que Variações disse aquando da gravação de Anjo da Guarda. Nas poucas amostras televisivas que retrataram a sua obra, conta-se que se gerou algum pânico no estúdio quando saiu aquela frase da boca de António. No entanto, não baixou as suas calças e manteve-se novamente fiel a si mesmo. A adaptação de «Povo Que Lavas no Rio» para o legado que Variações estava a criar foi formidável e a coisa, inesperadamente, começou a ganhar contornos jamais esperados por Variações: pouco tempo depois do lançamento de Anjo da Guarda estava a abrir um concerto para Amália Rodrigues.

E essa ligação não se ficou por aí: se Amália foi uma das figuras da cultura portuguesa que melhor soube como chegar ao público, António Variações daí herdou uma sapiência tremenda para criar hinos e para edificar espaços para a sua própria celebração. Detentor de um estro filosófico peculiar, mas onde sempre enfatizou o povo como primórdio para o seu pensamento, e de uma escrita que nunca se mostrou muito complexa, António tinha os condimentos certos para vingar a partir das suas letras – e embora a sua voz estivesse longe de ser apaixonante, era detentora de um timbre e de alma inconfundível e é fácil de perceber porquê (afinal, vivia-se a fase embrionária de um pequeno grande sonho que acabara de se tornar realidade).

O tempo tratou de esculpir na história e nas pessoas o legado de António Variações. A partir dali citava-se Variações em tudo o que era canto, mesmo sem as pessoas se aperceberem. E a verdade é que hoje em dia isso ainda prevalece. Hoje em dia, isso até nos acaba por ser inato e até julgamos que se tratam de ditos populares, mas não, está tudo nas suas letras. Essa capacidade de criar canções “citáveis” é única. O mesmo se aplica aos slogans que ajudavam a maximizar a sua grandeza; geralmente, as suas composições seguiam um esquema que acabava sempre por enfatizar uma parte da letra (e neste caso nem vale a pena simplificar e dizer que se tratam de refrões; uma canção de António Variações é toda ela um refrão) e a maneira como ela nos persuade a cada audição que lhe damos é absolutamente brilhante. Em boa verdade, foram principalmente estes factores que fortaleceram a sua obra.

Obra essa que se foi cimentando com o tempo, que foi ganhando dimensão à medida que a hipotética Nova York ia chegando com mais ou menos força a Portugal. Cimentou-se sobretudo a partir do momento que houve uma abertura mental em Portugal suficientemente grande (será melhor dizer: a partir do momento em que Portugal deixou de ter uma mentalidade tão fechada) para falar de uma coisa chamada “orientação sexual”. A imagem extravagante de Variações sempre fez com que muita gente o encarasse de lado, ainda por cima quando se viviam tempos pós-ditadura. Depois de editar mais um disco, intitulado Dar & Receber (1984), António Joaquim Rodrigues Ribeiro não resistiu ao vírus da SIDA – assunto que era um completo tabu para a época em Portugal – e acabou por falecer a 13 de Junho de 1984 numa época em que “Canção do Engate”, que integrou Dar & Receber, era uma das canções mais badaladas pelas rádios nacionais. Na altura, para evitar polémicas relacionadas com a orientação sexual de António Variações, a imprensa nacional recebeu a informação de que o músico minhoto havia falecido de broncopneumonina sem que existisse qualquer referência ao facto deste ter contraído o vírus da SIDA.

Foi-se o artista, ficou a obra. E dói pensar que Variações construiu o seu próprio legado num escasso ano de actividade permanente. Do ponto de vista musical, Variações foi aquilo que os nossos tempos teimam em garantir-nos a sua extinção: um ser que vive dos seus sonhos mas que é sempre igual a si mesmo, um ser mais humano do que músico e com canções que conseguem ter uma amplitude social tremenda, um “analfabeto” musical que tem mais música dentro de si do que a esmagadora parte das músicas que saltitam de rádio em rádio. Foi o responsável pela modernização da música pop em Portugal e o seu principal massificador e o que é certo é para nos servir uma nova era nunca precisou de extinguir aquelas que outrora se viviam. Se me perguntassem quem foi António Variações, não teria dúvidas em dizer que foi e que ainda é a voz de todos nós. E estamos órfãos dela desde há trinta anos. “Nova York” chegou-nos para ficar, António também, mesmo que os seus vestígios físicos estejam imersos e bem lá no fundo. Todos nós temos António Variações na voz.


Emanuel Graça




terça-feira, 23 de Setembro de 2014

A VELHA MECÂNICA - ENTREVISTA

Foi ainda no FUSING Culture Experience que estivemos à conversa com os elementos de A Velha Mecânica sobre um novo videoclip que tinha saído pouco antes, sobre alguns detalhes do estreante "Tanto Por Dizer E Ainda Assim Se Escondia" e sobre algumas curiosidades de uma banda que mais tarde viria a impressionar em cima de um palco Experience dedicado a boas estreias ao segundo dia de festival e também no regresso às imediações da Figueira para o Woodrock Festival.
Sem maquilhagem instrumental, a palavra de Fernando Oliveira, Pedro Correia aka Sonny Boy, Johnny Gil, Zé Diogo e Marco Paulette, senhoras e senhores.






BandCom (BC): O que é que faz dos A Velha Mecânica uma banda de Coimbra ? Será mais pelas "estórias" que contam, como no tema "Aspirante" por exemplo ?

Pedro Correia (PC): Somos uma banda de Coimbra, é verdade... Mas nem todos os elementos são de Coimbra. A minha terra natal é Bragança. Foi em Coimbra que nos conhecemos, que temos o nosso quotidiano enquanto banda. Agora a nível de sonoridades... há sempre aquele estigma do rock‘n’roll de Coimbra, de bandas como os Tédio Boys, entre outras... Mas acho que isso ressentiu-se mais nos nossos projetos anteriores do que propriamente nos A Velha Mecânica. Acho que o legado que nós tivemos dessas bandas foi mais o da vontade de ser músico. Em relação às temáticas, o tema “Aspirante” fala concretamente de uma pessoa de Coimbra, de uma daquelas personagens que, basicamente, todas as cidades têm, cada um com a sua "estória"...


BC: Os invisíveis...

PC: Sim... Surgiu na altura em que estávamos a compor temas para o álbum e infelizmente coincidiu com o falecimento desse senhor que as pessoas apelidavam de “aspirante”. Andava sempre a mostrar uma credencial que devia ser da tropa, tinha uma rotina muito própria... na Baixa, principalmente, toda a gente conhecia o Aspirante. Na altura em que estávamos a tratar das composições para o álbum, foi encontrado morto no rio Mondego. Depois, vimos que um senhor escreveu num blog da Baixa de Coimbra um artigo sobre as histórias do Aspirante na ocasião da morte dele, que tinha ido para a tropa, etc... então pensámos "porque não fazer um tema também sobre ele?”
De uma forma um bocado mais poética, vá lá... 


Marco Paulette (MP): E se calhar é o único tema em que falamos concretamente de Coimbra e da cidade. 



BC: Qual é a vossa ligação com a língua, a história portuguesa, muito visível no tema "Bandeira Negra"?

PC: Sim, é inegável a alegoria marítima nesse tema...
À medida que fomos tocando cenas e cantando em português, no meu caso, senti muito mais ao ouvir em português, tem uma forma mais crua, mais direta. No meu caso, sai mais verdadeiro.



BC: Como é que explicam que as bandas que cantam em português tenham tantas dificuldades em exportar as suas músicas quando sabemos que o fado não tem dificuldade nenhuma lá fora ?

Johnny Gil (JG): O fado é património...
Mas é uma dificuldade normal, a Espanha tem o mesmo problema, a França também.
.. 

PC: O fado é folclore português, é música tradicional...

JG: Mas acho que até há uma divulgação muito grande da música em português, como é o caso do Brasil, ou até dos PALOP's.





BC: Quais foram os critérios que determinaram a escolha dos convidados?

PC: O Victor Torpedo era quase uma presença obrigatória. Estávamos há uns instantes a falar das influências de Coimbra, ele era uma delas. Sempre gostei muito dele.
O Fuse... nasceu a ideia de que queríamos um rapper...



BC: Também pelo 'rap' português ser um dos maiores defensores da língua portuguesa ?

PC: Exatamente, que tivesse um bocado essa bandeira...

JG: Na altura da gravação do álbum, já tínhamos aquele formato. Decidimos que queríamos pôr alguma coisa mas não sabiamos muito bem o quê...
Depois o convite surgiu naturalmente.


PC: Na altura estava a fazer um trabalho com a Riot Films. E em conversas com o Paulo Castilho, ele disse:“convidem o Fuse, ele vai adorar, é a cena dele...”.
Nunca me tinha lembrado dele até então. E ele tem um bocado o nosso universo obscuro, com a cena do Inspector Mórbido. Mas também não queríamos dar um ar muito rapper à coisa.


MP: Ele disse-nos que tinha ouvido o nosso álbum e que tinha feito duas coisas: uma versão mais rappada, se assim se pode dizer, outra mais spokenword. A letra, o ritmo, a cadência... nota-se que é o Fuse a dizer as coisas. Estamos muito contentes com o trabalho dele, adaptou-se muito bem.

PC: E também aconteceu numa fase da vida dele um bocado complicada.
Então, acabou por dar-lhe uma carga emocional muito grande - à letra e à prestação dele.



BC: Já tocaram com ele e com o Victor ao vivo ?

PC: Éramos para tocar com o Fuse hoje. Mas teve outros compromissos e não nos podemos adiantar muito sobre isso...(risos)


BC: Esta presença no FUSING soou para vocês como uma nova vitória? Estavam à espera?

JG: Sim, já no ano passado houve uma pequena abordagem. Mas depois à última hora não deu, o cartaz estava fechado. Não tivemos ainda tempo para apreciar o festival, chegámos mesmo agora, não estivemos cá ontem...
O cartaz a nível de música está fantástico, este festival é muito bom para a zona centro. 


PC: Festivais como o FUSING são muitos bons para Portugal mas mais do que isso, revela que as pessoas e as organizações estão dispostas a apostar na música portuguesa que tem grandes talentos.

MP: É sem dúvida uma vitória para a zona centro, e a Figueira é a paisagem ideal. 





BC: Quais são os vossos planos para o futuro?

JG: Vamos tocar aqui perto agora, em Quiaios, no WoodRock. 

PC: Tivemos um ano um pouco parado, estávamos ocupados com outras coisas...
E agora, se calhar, é que estamos a fazer a tour deste álbum. Vamos marcar outras datas agora.


JG: E para o ano voltamos aos estúdios. Não te podemos dizer se vai sair um EP ou um álbum...mas qualquer coisa virá.

PC: Hoje, aliás, vamos tocar músicas novas...


BC: E agora, para acabar, se vocês têm tanta coisa para dizer, o que é que ficou por dizer hoje? Não me escondam nada... 

Todos: (Risos) Já dissemos tudo... Continuem a desfrutar...apareçam nos nossos concertos...não escondemos nada!

Mickaël C. de Oliveira




sábado, 20 de Setembro de 2014

DE E POR: TIME FOR T: "Time For T" (2014, NOS Discos)

Algarvio de nascença mas brightonian de ofício, Tiago Saga sempre se esforçou por criar o seu próprio trabalho. Primeiro a solo, chegaram entretanto outros elementos de Inglaterra, Espanha, Suiça e Portugal e assim se desenvolveram os Time For T entre outras bandas da cena local como os Beautiful Boy e Common Tongues.
Tornaram-se verdadeiros papa-festivais em Inglaterra e entretanto também um dos Novos Talentos FNAC e papa-concursos de novos talentos portugueses que já lhes renovaram o arsenal de instrumentos, os horizontes com a presença nos palcos do NOS Alive e Super Bock Super Rock e bem recentemente desbravaram caminho, entre outros, para o Palco Santa Casa do MEO Sudoeste com o convidado especial NBC. 

Há uma ubíqua réstia de talento aqui, definitivamente, e o novo EP homónimo dos Time For T lançado há poucos meses, sucessor de "Mongrel" e "Dream Bug" e para o qual contribuiu uma campanha de crowdfunding, confirma-o.
Após o sucesso do NOS em D'Bandada, é de Tiago o tempo para conhecermos este novo trabalho.




Long Day Home

Esta canção surgiu depois de chegar a casa após uma longa aventura, ou seja, depois de uma longa direta com muita festa. A canção reflete o sentimento de diversão total que leva a um momento em que nos apercebemos que precisamos de descansar em casa durante um ' longo dia em casa'. Os sons utilizados são psicadélicos para dar o efeito da falta de sono...


Human Battery

Chamamos à canção 'reggae country' pois tem uma grande mistura de momentos reggae no baixo mas há uma grande presença de slide guitar. O tema fala da ansiedade sobre o futuro e sobre o facto disso ser muito fatigante: "é tão fácil complicar as coisas..."


Jazz Cigarettes

Uma canção que compus no meio do inverno mais comprido da minha vida! Uns 7 meses na Ilha Inglesa. A canção conta com os nossos amigos Ellie Ford na harpa e voz e Andrew Stuart-Buttle no violino. Acho que, em termos sonoros, é a melhor canção neste disco.


Free Hugs

A nossa canção mais 'pop'! O sentimento de grande solidão mesmo quando temos muito amor à nossa volta. O refrão estava a pedir uma voz especial e pensei logo numa cantora sueca chamada Elin Ivarsson. Ela entrou no estúdio e gravou a sua parte de forma natural e ficámos todos muito contentes com o resultado final.
Fizemos um vídeo engraçado em que fomos literalmente oferecer abraços às pessoas nas ruas de Brighton. Transformou-se num dia incrível.





Johnny

Esta música nasceu do nosso gosto comum por música da África Oeste e Sul. Paul Simon é uma grande influência também. A história é sobre uma personagem de Brighton que é um bocado maluca. Mendigo durante o dia e poeta à noite. O Juan (percussionista e cantor) perde-se no final da canção e canta com o coração na boca.


Donkey Stallion

Uma canção folk sobre os nossos tempos. Uma reflexão sobre o facto de, cada vez mais, ser impossível prever o futuro. É uma das canções em que tenho mais orgulho. Gravámos ao vivo no estúdio como um 'adeus' ao disco.
A Bo Lucas canta comigo em algumas partes. Ela tem uma vóz de seda...




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