quarta-feira, 2 de Janeiro de 2013

OS MELHORES DE 2012 PARA O BANDCOM



Portugal é um país pequeno, com cerca de 92000 km2 de área total. Portugal não tem muitos habitantes e é um país envelhecido. Não admira, por esses factores e mais alguns, que exista o estereótipo que há pouca música em Portugal ou que a música que se faz peca em qualidade. Um dos grandes objectivos do BandCom passa por desfigurar essa ideia pré-concebida que estropia por completo a “indústria” musical portuguesa: é impressionante o número de discos que são paridos, em Portugal, a cada ano. É impressionante a qualidade que grande parte dos discos apresentam. Mas é ainda impressionantemente triste o modo como muita gente demonstra um desprezo pela descoberta da música portuguesa, que, arrisco-me a dizer, é uma das mais ecléticas e ricas de todo o Mundo.
O ano que findou há dois dias é um exemplo paradigmático do que se tem passado pela música portuguesa neste últimos anos: 2012 foi um ano repleto de lançamentos, de diversidade e, acima de tudo, de qualidade, mas que somente uma pequena parte deste pequeno país atentou. Não tenho pena da música portuguesa, tenho dessas pessoas.  

Por todos estes motivos, e para de certa forma glorificar e premiar os artistas portugueses que marcaram o ano de 2012 com as suas músicas, o BandCom apresenta em baixo os tops nacionais anuais relativos aos 25 melhores álbuns e aos 10 melhores ep’s do que ano que agora findou (Emanuel Graça):

 TOP 25 LP's NACIONAIS DE 2012:
25. Roque Popular, por Diabo na Cruz, Mbari

Menos rockeiros, mais populares. Os Diabo na Cruz viraram.
Os Diabo na Cruz estão mais baladeiros; menos rockeiros e mais populares, sempre bebedores da tradição da música portuguesa sem nunca se esquecerem da sua essência: o rock. Houve uma alteração em termos sonoros que faz com que Roque Popular esteja realmente diferente daquilo que a banda de Jorge Cruz nos habituou em Virou!, o primeiro registo da banda. Roque Popular é uma viagem pelos cantos da história da canção nacional, que aqui é celebrada efusivamente sem nunca pisar a linha da fronteira: há quem goste da canção portuguesa, chegaram os santos.

Pontos altos: Fronteira, Luzia e Bomba Canção. Emanuel Graça.

24. Batida, por Batida, Soundway Records



O kuduro parecia ter dissipado parte da sua essência, 

mas Batida tratou de a recuperar.


Batida é festa angolana consciente, algo que se tem perdido no kuduro editado em Portugal e não só. Com a participação de ilustres defensores da liberdade do povo angolano como Ikonoklasta ou Bob da Rage Sense, atingimos o ápice da quentura exótica dos ritmos africanos numa música de intervenção em Saudade ou ao ouvir Luaty Beirão e o seu “Isso é o que eles querem.” Uma referência.

Pontos altos : Bazuka, Saudade, Cuka. Mickaël C. de Oliveira.


23. Deep:her, por Deep:her, Kimahera




Smooth, abrasante e criativo; os Deep:her mostram-nos
como a música pode ser profunda.

O encontro entre Emmy Curl e GI Joe só podia resultar nisto. Num estilo que cria uma aliança entre uma sonoridade mais jazzy com outra sonoridade mais pautada pelas ambiências trip-hop, é na voz da transmontana transportada pelos samples do licenciado em arquitetura que temos consciência do brio e talento desta dupla. Uma delícia.

Ponto alto: Strange. Mickaël C. de Oliveira.


22. ALTO!, por Alto!, Lovers & Lollypops



O poço da morte ali e nós felizes com isso.

Ao primeiro ensaio longa-duração, os ALTO! munem-se de pequenos coros, grandes riffs e teclados perfeitamente datados para fazerem do rock n’ roll coisa de meninos.  Já sabemos o que lá mora (garage-rock de 1970 e picos, “psicadelismo-friendly”), o recheio da casa é o mesmo mas agora uma máquina de lavar passou a ser uma faca afiada. Se disser “foda-se, que disco!” sobre este LP estou ainda a dizer pouco.

Pontos altos: Garaplina, Carrer de La Muntanya e Rathausplatz. André Gomes de Abreu.

21. Year Two, por Adorno, Shove Records


Os Adorno continuam em boa forma;
a sua música enérgica e intensa assim o espelha.

Bebedores confessos de fontes como as de Refused ou At The Drive-In, os Adorno apresentam-nos com Year Two uma experiência intensa e vivida pelos mundos inóspitos do post-hardcore; sempre com uma sonoridade imponente e fervente, jaz aqui um dos discos nacionais mais agitantes do ano.

Pontos altos: The Whale, Unchaterd Maps e Untitled. Emanuel Graça.


20. Salto, por Salto, Nortesul


Um sonho pop.


Salto, disco homónimo do duo Guilherme Ribeiro e Luís Montenegro, é o disco pop do ano, para qualquer das suas estações. Um a um, lançam-se teclados dos anos 80 (olá New Order, olá Depeche Mode?), pelejas de batidas miami-bass desconcertantes e guitarradas para acidificar todo o groove e um imenso bom gosto num pot-pourri (desambiguação: trata-se do significado original da expressão) em que Deixar Cair, tomada como o álbum inteiro, esconde a perfeição e precisão – daquela que não se ensina nem se aprende - do tratamento que os Salto deram à pop que conhecemos cantada em português.

Pontos altos: Poema de Ninguém, Não Vês Futebol, Arcade. André Gomes de Abreu.
19. Flying Fortress, por Lululemon, Ed. Autor


Da terra portuguesa do blues, os Lululemon são mais uma certeza.


Post-country, funk, surf-rock... Flying Fortress dos Lululemon é talvez um dos álbuns mais promissores do ano. Blonde Weather até podia acompanhar a Estrada de Palha de Rodrigo Areias que nem daríamos por ela. Há também espaço para temas mais dançáveis, que se fazem acompanhar por um blues rejuvenescido. Bem, no fundo, há de tudo, mas sempre com o selo Lululemon bem patenteado.

Ponto alto: Blonde Weather. Mickaël C. de Oliveira.

18. Frozen Caravels, por Equations, Lovers & Lollypops





O barulho está todo lá, mas Frozen Caravels é uma experiência bem mais complexa do que possa parecer.

(ler crítica)
Se saíssemos à rua para perguntar ao povo português a sua opinião acreca deste álbum, grande parte dessa amostra diria, certamente, que este álbum é só barulho (basta dar o exemplo da canção portuguesa do ano que os espectadores da RTP escolheram - Emanuel - Baby és uma bomba - para perceber o seu porquê). Contudo, a experiência dos Equations é bem mais do que isso: Electronic, post-rock, math-rock e Equations que só dão trabalho – e barulho que nunca mais acaba – não são a fruta que quem vota na RTP costuma querer. Eu gosto. E vá lá, ouçam a banda, até têm lá escrito “caravela” no título do álbum...

Ponto alto: Running with Scissors. Mickaël C. de Oliveira.

17. A Balada do Coiote, por TV Rural, Chifre



Os TV Rural não negam o seu perfil popularista, e ainda bem.
Como disse tão bem o Duarte Azevedo, que é um dos grandes ilustres desta casa, “a expressão «roque popular» é tentadora, mas o trabalho dos TV Rural em nada se assemelha ao dos Diabo na Cruz”. De facto, nesta balada assistimos a uma sonoridade mais preocupada em ser rock do que em ser popular, tal como está patente em faixas como Quem Me Chamou ou Morde-me. Contudo, o perfil popularista da sonoridade da banda está sempre encorpado nas roupagens rítmicas e instrumentais com que os TV Rural esculpem e nos declamam as suas músicas sempre esquizofrénicas; ora tingidas por tonalidades mais baladeiras, ora por tonalidades mais sinistras e intensas. Um dos grandes discos de 2012.

Pontos altos: Se, Morde-me e Aldeia. Emanuel Graça.

16. Quack!, por Nice Weather For Ducks, Optimus Discos





:v

Os Nice Weather for Ducks vêm do concelho de Leiria, mais propriamente da Bajouca. Através da Optimus Discos lançaram em 2012 o seu primeiro registo. Quack! é um álbum que nos faz lembrar o melhor de bandas como os Foals ou os Animal Collective mas sempre com um som bastante próprio, como pode ser verificado pela utilização de instrumentos eletrónicos pouco convencionais que os NWFD mandaram vir do eBay e incluem nas suas composições. Quack! é um registo para ser ouvido do início ao fim inúmeras vezes. É difícil apontar defeitos e igualmente difícil eleger alguma canção como a melhor. Parabéns, malta, continuem!

Pontos altos: Bolywood, Back To The Future e Little Jodie. Diogo Marçal.
15. Flora, por Moullinex, Gomma Records



A sua música é subjectiva, mas a sua mensagem é universal: é fácil pintarmo-nos e mesclarmo-nos com a arte de Moullinex.

Minuciosidade, glamouroso e chique são quatro termos que podem ser aplicados ao novo álbum de Moullinex. Flora é definitivamente um dos álbuns portugueses do ano. Rico em cores, colaborações de gente como Peaches, Da Chick, ou Iwona Skwarek, Luís Clara Gomes encontrou a receita perfeita para espalhar a mensagem de um Portugal que, mesmo em crise, enriquece musicalmente dia após dia. Aqui há negrura e vitalidade. Há cor e morte. E há renascença.

Pontos altos : Darkest Night, Undertaker, To be clear. Mickaël C. de Oliveira.

14. Não Se Deitam Comigo Corações Obedientes, por A Naifa, Ed. Autor




                                       
Languidez despida de desencantos.

Com a finura de registos anteriores, as canções d’ A Naifa em Não Se Deitam Comigo Corações Obedientes são mais viscerais e ainda mais impactantes, muito por força da voz de Maria Antónia Mendes que mais do que nunca vai ao encontro dos poemas que lhe dão substrato. E sem olhar para trás, o resultado é mesmo assim aquela música aparentemente com todas as texturas que submergem o universo de A Naifa num perfume furiosamente cuspido para as entranhas da pele.


Pontos altos: Émulos, Aniversário e Gosto de Ti/Marianna e Chamily. André Gomes de Abreu.

13.  FÆMIN , por Process Of Guilt, Division Records & Bleak Recordings




Não morro de amores pelo metal, mas FÆMIN relata uma experiência incrivelmente abaladora.

Estrondoso, titânico, arrebatador, inóspito e intrigante. Os Process Of Guilt têm em FÆMIN um dos mais atordoantes discos de 2012. Com uma sonoridade notoriamente alicerçada no doom metal, com pequenas texturas stoner rock a emergirem-se pouco a pouco, é laudativa a frieza e crueza com que os PoG nos atordoam e nos condimentam de uma forma imprevisível, bastante salubre e profunda este disco. Extremamente coeso e com uma produção perfeita, e podendo, é ir apanhar um abanão com todo este caos sonoro.

Pontos altos: Harvest, Faemin e Cleanse. Emanuel Graça.

12.  Num Dia Mau Consegue Ver-se Para Sempre, por Amarionette, Raging Planet & Raising Legends


 De Setúbal, uma grande revelação: são os Amarionette.


Uma das revelações do ano são os Amarionette. As comparações com os Linda Martini são inúmeras vezes utilizadas mas em Num Dia Mau Consegue Ver-se Para Sempre os Amarionette mostram que são muito mais do que isso. Post-Rock de elevada qualidade, bastante experimental e criativo. Destaco para além da parte instrumental, uma excelente utilização da língua portuguesa.

Pontos altos: Alberto Caeiro e Monstros de Ninguém. Diogo Marçal.


11.  Olympia, por Minta & The Brook Trout, Optimus Discos



É viciante, simples, belo e gostamos mais dele a cada vez que o escutamos.

(ler crítica)
Tem um início calmo e suave e um desenlace a fazer a bússola apontar no sentido de um folk rock abrasante e aconchegante. São os Minta & The Brook Trout e têm em Olympia um dos mais viciantes discos do ano. A voz de Francisca Cortesão (aka Minta) revela-se, ao longo de todo o disco, apaixonante e as guitarras fundem-se sempre bem com a sua doçura, bem como os pequenos detalhes carimbados por sintetizadores como acontece, por exemplo, em Blood and Bones. “É na simplicidade que reside o grande encanto das coisas”; Olympia assim o prova. Venham mais discos deste quilate.

Pontos altos: At Your Will, Gold e Falcon. Emanuel Graça.

10.  Mel Azul, por Norberto Lobo, Mbari
           Escultor de peças de museu a cada disco.

Habitué constante nestas coisas de melhores de cada ano, Norberto Lobo traz em Mel Azul mais do que nos tem vindo a habituar: pegar numa guitarra e extrair-lhe desejos insondáveis. São onze canções que mais do que representarem competições de notas avulso e /ou reproduzirem fantasmas do exterior, reclamam para Norberto Lobo a capacidade de ser o todo pela parte.

Pontos altos: Lúcia Lima, Golden Pony Blues e Maga Raga
. André Gomes de Abreu.

9.  Monja Mihara, por Azevedo Silva, Absurdo & The Pentagon Recordings



Azevedo Silva continua a enfeitiçar-nos com a sua música.

Azevedo Silva é um dos grandes cantautores portugueses que tem surgido nos últimos anos. Com uma incrível habilidade para escrever, consegue aliar a magia das suas letras a uma composição instrumental bastante bem conseguida. Monja Mihara não fica nada atrás dos seus anteriores registos e claro que tem que ser considerado um dos álbuns do ano.

Pontos Altos: Fadiga, Sufoco e La Gacilly. Diogo Marçal.

8.  Pega Monstro, por Pega Monstro, Cafetra Records
Sempre com o seu perfil muito próprio, as Pega Monstro estão bem mais crescidas.

(ler crítica)
As Pega Monstro são uma daquelas bandas que ou são adoradas ou então odiadas, não existindo praticamente meio-termo. Pessoalmente tenho que confessar que me situo nesse mesmo meio-termo. Sempre achei que este era um projecto interessante, sei no entanto apaixonar-me verdadeiramente. Este álbum homónimo mostra uma evolução sonora. As letras, essas, continuam simples e pouco cuidadas, a música é cantada da mesma forma desafinada que sempre foi uma imagem da marca e que faz tanta gente odiar as Pega Monstro, mas o que interessa é que tudo isto junto resulta num disco bastante bom e que nos faz cantarolar alguns versos.

Pontos altos: Lisboa-Porto, Fetra e a despreocupação na forma como as letras e as composições são feitas. Diogo Marçal.

7.  Capicua, por Capicua, Optimus Discos


Mais do que um disco de uma “MC de jeito”, fazia falta um disco assim.

O disco em que Ana Matos salta do underground é uma das melhores coisas que Portugal viu nascer em 2012. Nada de esqueletos vivos no armário, nada de vidas duplas: aqui há honestidade e hinos feitos de palavras certeiras, samples quase clássicos e beats inolvidáveis. Uma das razões principais pelas quais Portugal teve em 2012 uma cena musical muito mais estimulante que a cena internacional.

Pontos altos: 1º Dia, Domingo e Judas & Dalilas. André Gomes de Abreu.

6.  Criôlo, por B Fachada, Mbari

Quem quer dançar com o B Fachada?

(ler crítica)
B Fachada já não é nenhuma novidade no panorama musical português. Um dos muito bons cantautores da terra de Camões, mas que ano após ano não pára de lançar álbuns cá para fora, cumprindo a sua promessa de ser o “Zappa Português”. Criôlo apresenta um som algo diferente dos seus antecessores. Mais dançável e mais experimental, com diversas influências africanas, Criôlo surge como um autêntico disco de cabeceira.

Pontos altos: Como Calha, Afro-Xula e É Normal. Diogo Marçal.


5.  Memória de Peixe, por Memória de Peixe, Lovers & Lollypops




Loops curtos, malhas a rasgar.

Os Memória de Peixe são, sem dúvida, um dos projectos mais interessantes que surgiram em Portugal nos últimos anos. O disco de estreia veio confirmar o talento e criatividade que este duo já apresentava nas suas actuações ao vivo. Um disco cheio de grandes malhas que dão tanta vontade de mostrar ao resto do mundo o talento que existe no nosso país e que infelizmente grande parte das vezes não consegue chegar a outros portos…

Pontos altos: Indie Anna Jones, Estrela Morena e Fishtank. Diogo Marçal.



4.  Orelha Negra, por Orelha Negra, ArtHouse


Hip-hop anti-hip-hop? Yah, algo parecido.

Começa-se com Um Brinde, acaba-se em Aurora; mas a viagem ao longo deste disco é sempre intensa e elucidante quanto ao talento dos Orelha Negra, banda composta por Sam The Kid, Fred Ferreira, Francisco Rebelo e João Gomes. Romancistas do hip-hop, simpatizantes do downtempo, experimentados em texturas jazzísticas e ousados do groove, os Orelha Negra alimentam-nos com Juras e promessas aliadas aos seus beats desconcertantes de que há hip-hop dentro do hip-hop para os que não querem ouvir hip-hop. Olhem-se ao Espelho, assobiem a la O Segredo (que tão bem que fica vestido nos nossos ouvidos) e façam um brinde a eles.

Pontos altos: Espelho, Juras e O Segredo. Emanuel Graça.
 

3. Rockuduro, por Throes + The Shine, Lovers & Lollypops



Com os Throes + The Shine, a festa é um dado adquirido.

Ter o Rockuduro dos Throes + The Shine é fixe. Assistir à prestação destes rapazitos então, nem se fala. Um bomba energética entre o kuduro do Porto e o rock de Angola. Ou o contrário. É que no fim de tanta mistura já não dá bem para distinguir. Festa inconsciente garantida.

Pontos altos: Ewe e Adrenalina. Mickaël C. de Oliveira.


2. L'Art Brut, por Wraygunn, ArtHouse

Blá, blá, blá…Wraygunn.
L’ Art Brut é um teste aos travões aparentemente difícil mas superado: sabe-nos a mais e exige-nos mais para o escutarmos na perfeição, restaura-se o glamour ao rock n’ roll , mas a essência e a identidade, que não esquecem a soul music e camadas de tempos tão simples rock & blues que contam histórias sem voz, que os Wraygunn imprimem são duas perdições. O resto é “blá, blá, blá”, “bling, bling, bling” e muito mais, num reconhecimento da asseveração de uma música genuína que poucos fazem tão bonita.

Pontos altos: Kerosene Honey, Track You Down, That Cigarette Keeps Burning. André Gomes de Abreu.


1. Titans, por Black Bombaim, Lovers & Lollypops



Não é droga, mas parece: a música dos Black Bombaim é alucinogénia e ferve em ácidos. Há quem diga "foda-se", mas eu prefiro entrar em trip e mandar tudo com o caralho.

Muita tinta tem corrido às custas de Titans (titãs, em língua portuguesa), álbum estrondoso dos Black Bombaim lançado pela Lovers & Lollypops (obrigado, Lovers & Lollypops, por nos dares tantos e tão bons discos). Porém, por muita tinta que se gaste, nada ficará tão escrito na eternidade como a música explosiva edificada e minada em Titans. É impossível não nos deixarmos envolver nos riffs monstruosos que por lá habitam, é impossível negar uma viagem espacial pelo universo “frita-miolos” que os barcelenses criam em todas as suas composições através de pormenores embalsamados em psicadelismos atordoantes: um titã é um vocativo mitológico genérico para apelidar os gigantes que pretenderam escalar o céu, só que o esforço dos Black Bombaim não se limitou aos céus; transcendeu-os. Uma vénia, por favor.

Pontos altos: tudo e mais alguma coisa. Emanuel Graça.





TOP 10 EP's NACIONAIS DE 2012:


 
10. New Kind Of Mambo, por New Kind Of Mambo, Ed. Autor

                        Como aliciar o presente com referências ao passado.

Tiago Fonseca e Sofia Dias concentram no primeiro EP diferentes coordenadas do blues e do rock n’ roll e não evitam revivalismos. Pelo contrário, fazem prova que desde que perfeitamente domadas a cinto de cabedal, estas canções sobrevivem por si próprias, qual fórmula que se refresca de cada vez que o silêncio aparece. É urgente termos canções tão joviais e descomprometidas ao nosso dispor.

Pontos altos: New Kind of Mambo e Whole Lot Treat. André Gomes de Abreu.



9. O Fim, por B Fachada, Ed. Digital via Bandcamp


 O fim que jamais será o fim porque a intemporalidade nunca acaba, nunca
se esvai nem nunca deixará que as palavras morram, desapareçam ou acabem.


B Fachada despediu-se para o seu ano da sabática com O Fim, um disco onde Fachada exuma até às suas origens; de braguesa ao peito, mesmo que electrificada, tal e qual a sua vasta quantidade de seguidores mais deseja. Esse regresso foi esplêndido e a produção lo-fi ajudou, porque a música de B Fachada nada mais é que uma aproximação dos que a ouvem e, sobretudo, a sentem; é bom sentirmo-nos parte do esqueleto sonoro, é inegavelmente bom alojarmo-nos nos arranjos líricos inolvidáveis com que o estro de B Fachada nos vai abrasando, mas melhor ainda é isso tudo numa simbiose perfeita a vestir-se cuidadosamente nos nossos ouvidos. Um dos melhores registos de B Fachada até à data, e um dos meus discos/ep’s favoritos de 2012. Vamos ter saudades tuas, Bernardo.


Pontos Altos: Fado, Mano e Boa Nova. Emanuel Graça.

 

8. Ermo, por Ermo, Futomaki A&R

Não é só música, é também história.

(ler crítica)
Um jovem duo de Braga que decidiu fazer música e apelidar o seu projecto de Ermo lançou aquele que foi para mim o melhor EP nacional do ano. Altamente inovadores na música que fazem (bastante difícil de catalogar com algum estilo), cedo me despertaram o interesse através do lançamento esporádico de algumas canções através do bandcamp. Carregado de melodias obscuras e manifestações de interioridade, girando à volta do mito do Quinto Império. Vinte minutos de arte pura que devem ser ouvidos na totalidade e em modo repeat. EP merecedor de um enorme aplauso e que deixa óptimas indicações para futuros lançamentos.

Pontos altos: Concílio e Dies Irae. Diogo Marçal.

7. Will You Wake Up Today?, por Dusk At The Mansion, Ed. Autor


                             
                                                  Maquinalmente pop.

Na estreia, os Dusk At The Mansion apresentam um EP de 4 canções surpreendentes. Não apenas pelo encaixe perfeito do vocoder num conceito moderno, dançável, de pop electrónica, mas pela naturalidade com que os sintetizadores definem melodias, dinâmicas e sentimentos tão delicados. A perspectiva destes temas em formato longa-duração forra de forma decente a convicção que nada os deverá proibir de se tornarem obrigatórios num futuro próximo.
 

Pontos altos: Deep Breath e The Portrait. André Gomes de Abreu.
  6. Lasers, por Lasers, Bad Panda Records

 Viagens e mais viagens.

Chillwave é viagem, LASERS são quatro cidades. No centro, há afinidades, encontros e reencontros. Emoções reais, impressões superficiais, ilusões e saudades. E há quatro faixas, lindas de morrer.

Pontos altos: Porto, Amsterdam, Berlin, Paris. Mickaël C. de Oliveira.
 5. Wires, por Lydia's Sleep, Ed. Autor



Um dos melhores registos math-rock do ano.
Wires é um dos grandes EPs que o mundo viu ser lançado este ano. Math-rock ou post-hardcore o que interessa é que é música e da boa! Um EP que apenas peca por ser curto, mas que nos deixa extasiados. Notável tanto a nível de composição como na qualidade técnica individual de cada um dos seus membros. Mais uma daquelas bandas jovens que certamente nos vão fazer ouvir coisas muito boas nos próximos anos.

Pontos altos: For To The Past e Leaving Early. Diogo Marçal.
4. Under The Quiet Sky, por Plane Ticket, Cakes & Tapes


Há quem ande por aí a falar daquela banda d’os aviões;
que pena que tenho dessas pessoas.
São quatro e são de Torres Vedras; os Plane Ticket têm um Under The Quiet Sky uma estreia estrondosa e bastante prometedora. São uns escassos vinte minutos a la Turn On The Bright Lights, mas que sustentam os Plane Ticket como uma certeza do rock alternativo nacional. As guitarras estão sempre bem aguçadas, a linha de baixo está sempre perfeita e enfatizada, tal como manda a lei do post-punk, e a bateria está sempre pronta para dar o seu impulso e catapultar-nos lá bem para cima, fazendo esquecer que a gravidade nos impede de levitar;a música dos Plane Ticket faz-nos sentir leves, sem peso, mas o seu corpo é extremamente robusto e é maravilhoso e orgásmico explorá-lo enquanto levitamos pela sua composição estruturada ao átomo. Anda comigo ouvir os aviões, os bons.

Pontos altos: Tudo. Emanuel Graça.
3. Rancor, por RA, Lovers & Lollypops

Quem somos?
As fronteiras já não existem. No caso do Ricardo Remédio, a passagem do doom para a música eletrónica fez-se sem grandes conflitos. Em Rancor, o artista conseguiu expulsar de dentro dele tudo o que sentia no doom e contaminou-nos: Rancor serve para conhecermo-nos melhor, descobrir o negro que está em cada um de nós. Constrangedor.

Pontos altos: Tudo. Mickaël C. de Oliveira.
2. Aurora, por Savanna, Pontiaq


Um casamento de duas noções sonoras distinas.

Dançável, aromático, agradável e pitadas efervescentes de rock. É impossível não gingar a cabeça ao ouvi-lo e é, sobretudo, um EP que casa os fãs de rock com os da eletrónica. Fresco, ousado e hipnótico, Aurora é um dos grandes ep’s do ano. (Ah e algumas músicas tipo o Rest lembram o GTA).

Pontos Altso: Rest e Aurora. Mickaël C. de Oliveira.
1. Broda, por Gala Drop, Gala Drop Records

Chamava Broda ao meu irmão, mas ele não me oferecia viagens nenhumas.
Agora há quem me ofereça viagens de Gala.

O convidado é de peso, trata-se de Ben Chasny (frontman dos Six Organs Of Admittance), e tem ao peito a guitarra eléctrica; a banda veste-se, por isso, a rigor, com roupagens sonoras briosas, vestuários dignos de gala. Broda vem confirmar aquilo que se esperava: que os Gala Drop são um dos nomes nacionais a quem mais devemos estar atentos. Toques perfumados pelo psicadelismo habitam na sonoridade da banda, mas é o seu perfil idiossincrático que acaba por mais se impor. Viagens são prometidas, onde as paisagens se revelam hipnóticas e a banda sonora enfatizada pelos beats incessantes e pela atmosfera criada pela guitarra é de eleição; o resto só cada um de nós saberá. Bastaram três músicas; venha daí novo álbum.

Ponto alto: Muito mais barato que viajar pela TAP. Emanuel Graça.






*Votações e textos de: André Gomes de Abreu, Diogo Marçal,
Emanuel Graça e Mickaël C. de Oliveira. 
Os tops individuais serão divulgados amanhã.




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